Com maior incidência, o que é preciso saber sobre a mão-pé-boca


Por: Portal Arauto
Fonte: Jornal Arauto
Publicado 31/08/2021 09:00
Atualizado 31/08/2021 09:39

Geral   ALERTA

Os diversos casos da síndrome mão-pé-boca registrados em crianças de Santa Cruz do Sul e Vera Cruz nas últimas semanas reforçam um alerta aos pais e responsáveis. Na terra da Oktoberfest, ao menos três surtos foram identificados em escolas de educação infantil. Dois deles em Linha Santa Cruz e um no centro, sendo que cada local apresentou mais de 10 casos. Já na Capital das Gincanas, os atendimentos relacionados à síndrome tiveram crescimento na semana de 16 de agosto no Espaço Mamãe Criança, quando cerca de 10 crianças apresentaram os sintomas - sendo que na última semana não houve casos. Já nas EMEIs do município, casos esporádicos são registrados, não sendo considerado surto nesses locais, conforme a Secretaria Municipal de Educação. Como medida, faz-se o alerta para o diagnóstico, uma vez que a síndrome é altamente transmissível, sendo necessário período de isolamento para evitar o contágio por outras crianças e adultos, conforme a pediatra e professora do curso de Medicina da Unisc, Fátima Souza. 

A profissional explica que  a síndrome afeta principalmente crianças menores de cinco anos. Os principais sintomas são febre, dor de garganta e recusa alimentar, sendo que normalmente após dois dias da ocorrência de febre, aparecem pequenas feridas avermelhadas em partes do corpo. “As lesões são geralmente na boca, ao redor dela também, pois a saliva contém o vírus. O típico também é aparecer na palma das mãos e na planta dos pés, mas acomete, ainda, os dedinhos, na região de uso de fralda, no períneo, nos tornozelos, um pouco acima dos pézinhos, na região genital e nas nádegas”, esclarece a médica, ao citar que grande número de casos tem aparecido junto ao consultório particular, como também no plantão do Hospital Ana Nery, onde atua. 

COMO DIFERENCIAR

Apesar de ser confundida com outras doenças comuns na infância pelos pais, tal como a catapora, Fátima afirma que as lesões se manifestam em partes diferentes do corpo em cada uma das doenças. Enquanto que, segundo ela, as lesões na catapora se concentram no tronco da criança, as da síndrome mão-pé-boca aparecem nas extremidades. “As lesões são doloridas e podem provocar coceira, então a criança pode não querer comer, pois sente dor ao engolir o alimento ou líquido, ou mesmo a baba, chora e tem desconforto”, explica a pediatra.

Para conter o contágio, Fátima frisa que é fundamental o isolamento do paciente em torno de sete a 10 dias depois do aparecimento dos sintomas - lembrando que de três a seis dias antes a criança já pode estar com incubação do vírus. “Também é preciso evitar o contato próximo, como abraçar e beijar, além de não deixar uma criança doente em contato com os colegas da escola. As recomendações são, ainda, para os cuidadores da criança, que precisam higienizar as mãos com água e sabão ou álcool, antes e depois de lidar com os pequenos”, alerta. 

DRA FÁTIMA SOUZA EXPLICA

A criança pode pegar a síndrome mais de uma vez?

A síndrome não dá imunidade à criança, que pode ser afetada mais de uma vez.

Quais são as formas de contágio?

A transmissão pode ocorrer de forma oral, pelas lesões, saliva e até mesmo as fezes - sendo que a criança pode ficar eliminando o vírus nas fezes por algumas semanas. Para evitar o contágio, é importante cuidar com tudo o que tem contato com a boca, não compartilhar mamadeiras, talheres, objetos, copos, cuidar o contato com os brinquedos, e cobrir boca e nariz sempre ao tossir e espirrar. Além disso, como a síndrome acomete muitas crianças que ainda usam fraldas, o cuidado e higiene com as superfícies onde elas são trocadas, além do descarte das fraldas e lencinhos umedecidos em lixeiras com tampa são imprescindíveis. 

Como é feito o tratamento?

O tratamento é basicamente controlador, com uso de analgésicos, estímulo à ingestão de líquido e, em caso de lesão com aspecto diferenciado e que possa ter contaminação ou infecção secundária pelo fato da criança coçar, deve receber atenção do pediatra.

Quais os protocolos seguidos nas escolas?

Com o surto registrado nas escolas de educação infantil de Santa Cruz, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesa), por intermédio da Vigilância Sanitária, encaminhou às direções das instituições de ensino uma nota informativa para evitar o avanço da síndrome mão-pé-boca. O documento traz orientações sobre como a síndrome se manifesta, período de incubação, formas de transmissão, manifestações clínicas e medidas de prevenção e controle.

Além disso, amostras de material foram coletadas nas crianças identificadas e encaminhadas ao Lacen. A Vigilância também monitora os casos atendidos nos hospitais, UPA e Casa de Saúde. 

A coordenadora do setor de Vigilância e Ações em Saúde, Francine Braga, frisa que os educandários foram orientados a intensificar a limpeza das salas e ampliar os cuidados com a higiene pessoal, principalmente das mãos. Também, pede-se que as direções comuniquem a ocorrência de casos aos pais, como forma de prevenir ou evitar o contágio, bem como à Vigilância Sanitária, através do e-mail vig.epidemio_scs@yahoo.com.br (com Vanda), com cópia para giseli.fiscalizacao@santacruz.rs.gov.br. A incidência de três ou mais casos em uma mesma escola é notificada como surto.

VERA CRUZ 

A secretária de Educação de Vera Cruz, Micheli Rech, explica que casos da síndrome mão-pé-boca ocorrem esporadicamente nas escolas infantis. Atualmente, há pelo menos oito registros, sendo em duas EMEIs do município. “A nossa orientação enquanto Secretaria é de que quando detectada a síndrome em uma criança, ela não vá para a escola no período de afastamento indicado pelo médico para evitar a contaminação. Também, é preciso que as famílias dos alunos da turma onde há um caso identificado sejam avisadas da situação”, explica.

Neste momento, reforça Micheli, a identificação dos casos nas EMEIs do município não é considerada surto.

 


Foto: divulgação
Síndrome acomete principalmente crianças menores de cinco anos
Síndrome acomete principalmente crianças menores de cinco anos