A tradução do que é ser amigo de fé, irmão camarada


Por: Portal Arauto
Fonte: Jornal Arauto
Publicado 20/07/2021 10:00

Geral   DIA DO AMIGO

Em 1977, quando Roberto Carlos criou a letra da canção “Amigo” em homenagem a Erasmo Carlos, nem Juceli, nem Tatiane eram nascidos. Porque bem que poderiam ter inspirado o sucesso do rei, quando ele canta “Às vezes em certos momentos difíceis da vida... Em que precisamos de alguém pra ajudar na saída... A sua palavra de força, de fé e de carinho... Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho”. A amizade entre Tatiane Beatriz de Figueiredo, 41 anos, e Juceli Giovane Pereira da Rocha, 27, moradores de Santa Cruz, começou dentro de um hospital.
Parece improvável, mas foi o que aconteceu. Também não dá para chamar de destino, mas uma boa dose de insistência de Tatiane.

Seu Crécio Figueiredo, pai de Tatiane, estava internado no Hospital Santa Cruz em decorrência de uma cirurgia na vesícula, nos primeiros dias de 2017. A filha acompanhava o pai ao longo do período de recuperação na casa de saúde e, ao longo dos dias, percebeu que no leito do cantinho do quarto havia um jovem, “um menino rebelde”, como ela mesmo chamou, pois não falava com ninguém, pouco se comunicava com a família e parecia achar que aquele lugar, ou aquele momento, representava o fim de tudo.

“Eu, sempre curiosa, fui até ele para conversar, mas ele não queria saber. Insisti. Ele tinha acabado de saber que ficaria sem os movimentos do pescoço para baixo, estava triste. Então, mais ainda, eu queria estar perto”, recorda Tatiane, que trabalha com corte e costura de estofados.

A tristeza sentida por Juceli não era à toa. Foi no dia 17 de dezembro de 2016, praticamente nas vésperas do Natal, que tudo mudou na vida do jovem de apenas 22 anos. Ao pular numa piscina, em um balneário, ele sofreu uma lesão grave e fraturou a coluna durante o mergulho. Foram cerca de oito horas desacordado e entre um hospital e outro, sua mãe, Odete, teve que se agarrar na fé para acalmar o coração. Quando o médico reuniu a família para explicar o diagnóstico -  e a previsão de três cirurgias, sendo que uma só se concretizou - a família precisou reunir forças para aceitar que Juceli só mexia o pescoço. A virada de ano para a família Rocha foi cercada de angústia e lamento. 

Até hoje ele fica com poucas palavras para explicar o sentimento que teve, mas pensou que não era hora de desistir. Só que quando Tatiane chegou perto, dia 5 de janeiro de 2017, Juceli também não estava muito a fim de papo, ainda mais com uma estranha. “Quem é essa louca aqui?”, relembra hoje, aos sorrisos.

A insistente

Sabe aquele ditado: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura? Foi o caso. Tati passou a levar brigadeiro, sorvete, tudo para animar Juceli. Aos poucos, o jovem foi cedendo à pressão da pretendente a amiga. Mesmo quando o pai trocou de quarto e recebeu alta, lá estava ela “batendo o ponto” para visitar o jovem. Deixou o número do telefone e, certo dia, ele resolveu puxar conversa. Ditava o recado e o irmão digitava. Enfim, Tati ganhou Juceli no cansaço. 

Foram 59 dias de hospital e a nova amiga mostrou que o sentimento que começou ao lado do leito não teria fim.
Com a alta, Juceli acabou indo para a casa de parentes, pois a moradia da família não oferecia condições de acessibilidade. Até que um grupo de voluntários chamado “Quanto vale um sorriso” conseguiu material para a construção de um chalé para a família, no bairro Belvedere. “Achei o máximo e entrei para o grupo”, reforça Tati, que acabou sendo transformada pela amizade e pela vontade de ajudar o amigo. Descobriu que o sorriso de Juceli não tem preço.

A matéria completa está na edição desta terça-feira,do jornal Arauto


Foto: Carolina Almeida/ Jornal Arauto
Juceli e Tatiane se conheceram no hospital e cultivaram amizade para a vida toda
Juceli e Tatiane se conheceram no hospital e cultivaram amizade para a vida toda