Quais as diferenças entre a dengue e a Covid-19?


Por: Portal Arauto
Fonte: Jornal Arauto
Publicado 18/04/2021 10:00

Geral   PREVENÇÃO E COMBATE

Há mais de um ano os olhos do mundo todo estão voltados para o combate à pandemia do novo coronavírus. Protocolos de prevenção viraram rotina e uma luta para salvar vidas e amenizar os efeitos da doença vem sendo travada nos hospitais e nas unidades de saúde. 

Mas além da Covid-19, outros problemas relacionados à saúde seguem preocupando, a exemplo da dengue. Recentemente, na região, a atenção se voltou mais fortemente também para a doença, após municípios como Santa Cruz do Sul e Vera Cruz registrarem casos. Na semana passada, a Capital das Gincanas confirmou os dois primeiros casos de transmissão na história, tendo atualmente também 12 suspeitos. Já a terra da Oktoberfest chegou a marca de 335 casos confirmados na última quarta-feira - acendendo ainda mais o alerta para a prevenção. 

Tanto a dengue como a Covid-19 são doenças virais, porém, são transmitidas por vírus distintos e se manifestam de maneiras diferentes. Dessa forma, ainda podem haver dúvidas de como diferenciar os sintomas - já que alguns são muito parecidos - e dá-se a necessidade de informar. Munida de conhecimento a respeito das doenças, a população poderá buscar atendimento adequado, evitar que quadros de saúde se agravem e, consequentemente, que a demanda seja ainda maior em hospitais e unidades de saúde - já tão afetados pela pandemia.

O que caracteriza as doenças 

Covid-19: trata-se de uma infecção respiratória aguda causada pelo coronavírus (SARS-CoV-2), potencialmente grave, de elevada transmissibilidade e que atinge o mundo todo. 

Dengue: é uma doença febril aguda, que pode se apresentar na forma hemorrágica. É um dos principais problemas de saúde pública no mundo, sendo transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti.

De que forma as doenças são transmitidas

Covid-19: quando uma pessoa infectada elimina partículas virais, através de espirros, gotículas de saliva e catarro, pode transmitir o vírus para pessoas que estão próximas, ou ainda, infectar objetos, superfícies e ambientes. Se outro indivíduo entrar em contato com essas superfícies, tocando os olhos, o nariz ou a boca, também pode se infectar. A transmissão se dá, ainda, por meio de gotículas respiratórias menores contendo vírus e que permanecem suspensas no ar, sendo levadas por distâncias maiores que um metro e geralmente por horas.

Dengue: a dengue não é transmitida de uma pessoa infectada para outra, mas sim pela picada do mosquito Aedes Aegypti. Porém, quando uma pessoa testa positivo para dengue, acende-se um alerta, pois significa que o mosquito está circulando. O ciclo da dengue se dá quando o mosquito fêmea é infectado por sugar o sangue de alguém doente, então, quando ele suga o sangue de outro indivíduo em busca de alimento ocorre a transmissão. Dessa forma, as partículas virais são injetadas na corrente sanguínea da pessoa, junto com a saliva infectada do mosquito.

Como prevenir

Covid-19: as condutas recomendadas são: higienizar as mãos com frequência - com água e sabão ou álcool em gel -, manter distanciamento social, usar máscara, não tocar olhos, nariz ou boca, fazer isolamento sempre ao sinal de sintomas ou confirmação da doença.

Dengue: deve-se evitar a proliferação do Aedes Aegypti, eliminando água acumulada e possíveis criadouros, como em vasos de plantas, lagões de água, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção e recipientes pequenos, como garrafas. O uso de repelentes e inseticidas evita a picada.

Quais são os sintomas e como diferenciar

Covid-19: os sintomas mais comuns são febre, tosse seca e cansaço, mas a pessoa infectada também pode apresentar desconforto, dor de garganta e de cabeça, diarreia, perda de paladar ou olfato, erupção cutânea e descoloração dos dedos de mãos e pés. Em casos mais graves, pode apresentar dificuldade para respirar ou falta de ar, dor ou pressão no peito e perda de fala ou movimento. Em média, os sintomas aparecem cinco ou seis dias após o indivíduo ser infectado com o vírus, podendo levar até 14 dias.

Dengue: os sintomas respiratórios não são frequentes na dengue e, mesmo que ambas as doenças provoquem febre e dores de cabeça e pelo corpo, além de cansaço, esses sinais são mais intensos quando relacionados à dengue. Pode ocorrer também dores nas articulações e musculares, problemas gastrointestinais, manchas avermelhadas pelo corpo e dor ao movimentar os olhos. Pode provocar, ainda, queda no nível de plaquetas do sangue, causando sangramentos que podem levar até a morte.

A responsável pela Vigilância Epidemiológica,  da Secretaria de Saúde de Vera Cruz, enfermeira Daniela Schneider, explica que se o indivíduo tiver sintomas respiratórios, o mais recomendado é procurar o Ambulatório de Campanha, já que é indicativo para a Covid-19. Por outro lado, se houver vômito, diarreia e dor de cabeça, avalia que é mais possível que se trate da dengue, podendo procurar as unidades de saúde e o hospital para atendimento. A profissional também esclarece que casos de dengue identificados durante o atendimento no Ambulatório de Campanha são notificados junto à Vigilância Epidemiológica e encaminhados para tratamento e realização de testes, assim como ocorre com pacientes Covid.

Como são feitas as testagens

Covid-19: o diagnóstico laboratorial pode se dar por meio de teste RT-PCR, considerado padrão ouro para diagnosticar a Covid-19. Ele identifica a presença do material genético do Sars-Cov-2 na amostra de secreção respiratória do paciente, obtida geralmente do nariz, com o auxílio de um cotonete. Já o sorológico detecta anticorpos IgM e IgA (da fase inicial da doença) e/ou IgG (que indica que o paciente já teve a doença). Em relação aos testes rápidos há o antígeno, que detecta proteína do vírus em amostras coletadas do nariz, devendo ser realizado na infecção ativa, e o de anticorpos, que detecta IgM e IgG, em amostras de sangue.

Dengue: profissionais do Laboratório Célulla explicam que há o exame antígeno, que pesquisa uma glicoproteína NS1 presente no sangue dos pacientes infectados em doença aguda, e o de anticorpos, que pesquisa IgG e IgM, substâncias produzidas pelo organismo para defender-se contra o vírus. A responsável pela Vigilância Epidemiológica em Vera Cruz, Daniela Schneider, frisa que mediante casos suspeitos é feita coleta de amostra de sangue do indivíduo - enviada ao Laboratório Central de Saúde Pública do Estado, o Lacen. A coleta deve ser feita após o 7º dia de sintomas e caso haja dúvida se é Covid-19 ou dengue, o paciente é testado para as duas doenças. 

Os testes podem ser feitos em laboratório particular ou por meio da Secretaria de Saúde, respeitando o período recomendado por ambos, objetivando maior eficácia.

Tratamento

Covid-19: quando dos sintomas relacionados à Covid-19, o paciente pode buscar atendimento em unidades específicas para esses casos, com os Ambulatórios de Campanha, hospitais ou com médico particular. O tratamento adequado  será indicado pelo médico. Em casos mais leves e moderados, o paciente pode se tratar em casa, ficando isolado de demais pessoas por até 14 dias. Casos mais graves podem exigir internação clínica e até UTI.

Dengue: não existe tratamento específico para a dengue, dessa forma, é realizada assistência para aliviar os sintomas apresentados pelo paciente. Entre as recomendações - que devem ser feitas pelo médico - estão repouso, ingestão de bastante líquido e evitar automedicação. Em alguns casos é necessária internação hospitalar, como nos quadros de choque hemorrágico - podendo causar problemas em vários órgãos e levar à morte. 

Fontes: Ministério da Saúde, Secretaria de Saúde de Vera Cruz e Laboratório Célulla  

Como os hospitais se preparam para enfrentar as duas demandas

Enquanto nos hospitais da região os índices de ocupação de leitos pela Covid-19 - principalmente em UTIs - ainda são preocupantes, profissionais de saúde e estruturas precisaram se movimentar também para atender a demanda de dengue que surgiu há cerca de três semanas. 

HOSPITAL SANTA CRUZ

De acordo com a assessoria de comunicação do Hospital Santa Cruz, a demanda relacionada à doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti é bem menor que a da Covid-19, no entanto, é preocupante já que o enfrentamento das doenças ocorre de forma simultânea. Até esta quarta-feira, por exemplo, a casa de saúde não tinha pacientes internados pela doença em UTIs e percebeu redução no número de pacientes internados em leitos clínicos nesta semana, se comparada com a anterior. A assessoria diz, ainda, que o período de internação de pacientes de dengue é menor que os de Covid-19, de dois a três dias, dependendo da gravidade.  

HOSPITAL ANA NERY

O diretor executivo do Ana Nery, Gilberto Gobbi, afirma que há aumento no número de consultas de sintomáticos de dengue, sobretudo na UPA e na casa de saúde, mas que neste momento não se vislumbram readequações para o atendimento destes pacientes, nem se projeta algum tipo de dificuldade no seu atendimento. “Diferentemente de doentes de Covid-19, eles não necessitam de isolamento, nem representam risco de contágio aos demais. Embora estejamos cientes do elevado número de pessoas com a doença em Santa Cruz, acreditamos que não haverá comprometimento da capacidade hospitalar”, esclarece.  

HOSPITAL BENEFICENTE DE VALE DO SOL 

O HBVS informa que até o momento, alguns pacientes com sintomas relacionados à dengue procuraram o plantão de Urgência e Emergência para atendimento. Contudo, não se teve nenhum caso confirmado – nem mesmo internações -, tratando-se de outras problemas de saúde. 

HOSPITAL VERA CRUZ

Conforme a responsável técnica do HVC, enfermeira Elisane Baierle Corrêa, neste primeiro momento a questão de infraestrutura física/hotelaria é o fator menos preocupante em relação ao atendimento à doença - já que novos leitos foram ativados recentemente. Porém, afirma que o alerta se dá para a falta de medicamentos, já que as distribuidoras estão tendo dificuldades de fornecê-los aos hospitais. “Em nenhum momento o HVC ficou sem medicações, mas a instituição já passou por momentos tensos”, diz, ao frisar que a equipe técnica e de enfermagem está preparada para o enfrentamento da doença. Segundo ela, a demanda de atendimentos de pacientes com sintomas ou confirmados com dengue ainda é pequena. Até agora, na casa de saúde não houve internações hospitalares de munícipes de Vera Cruz, nem de outros municípios.


Foto: Grupo Arauto / Rafael Cunha
Prevenção é dever de todos
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