Saiba quanto tempo após a primeira dose da vacina contra Covid-19 o corpo apresenta imunidade


Por: Portal Arauto
Publicado 13/02/2021 13:00

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O início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil proporcionou doses de esperança em tempos melhores. A imunização no país é realizada com dois imunizantes desenvolvidos no exterior e produzidos em parceria com institutos brasileiros: a CoronaVac, da chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e a vacina do laboratório britânico AstraZeneca com a universidade de Oxford em parceria com a Fiocruz. As duas, aprovadas pela Anvisa, necessitam de duas doses para a imunização da população.

Mas depois de quanto tempo o vacinado é considerado imunizado contra a Covid-19? A reportagem do Grupo Arauto conversou com a diretora de Inovação e Empreendedorismo da Unisc, Andreia Valim, que explicou o funcionamento deste processo. Segundo ela,  a formação de anticorpos, como parte da resposta imune adquirida, leva algum tempo após a vacinação. “Alguns estudos apontam que a resposta imunológica ocorreu dentro de 28 dias após a primeira dose da vacina – tempo capaz de produzir anticorpos suficientes para reconhecer o novo coronavírus (SARS-CoV-2) - sendo necessária uma segunda injeção após 14 dias, no caso da Coronavac”, salienta.

Afinal, o intervalo entre as doses das duas vacinas é diferente. Conforme Andreia, a segunda dose da CoronaVac está sendo administrada em até 28 dias após a aplicação da primeira dose. Já para a Oxford/AstraZeneca, a aplicação da segunda dose está prevista para ocorrer em 12 semanas. “É essencial respeitar o intervalo previsto para cada imunizante para se ter uma resposta adequada”, ressalta.  A CoronaVac apresenta 50,38% de eficácia em pacientes com sintomas leves; 78% em casos de internação e 100% de eficácia para casos graves e mortes. Já a AstraZeneca pode apresentar eficácia entre 62% e 90%. “É importante destacar que nenhuma das duas vacinas foi testada em crianças, já que elas não devem ser imunizadas neste primeiro momento”, orienta.

Após a aplicação das duas doses, fundamental para o desenvolvimento adequado da resposta imune, Andreia Valim relembra que é preciso seguir observando as regras da pandemia. “É muito importante observar que quem se vacinou tem que continuar usando máscara, fazer uso do álcool gel e do distanciamento. Não sabemos se a vacina irá resultar em uma imunidade esterilizante, ou seja, se a pessoa que tomou a vacina não transmitirá mais o vírus. Temos que aguardar os testes clínicos das pessoas que já receberam as vacinas e verificar os resultados”, analisa.

Saiba como cada vacina funciona no organismo, conforme explicação da especialista:

  • A CoronaVac utiliza o método de "vírus inativado", um dos processos mais reconhecidos e seguros na produção de vacinas, utilizado por exemplo na vacina contra a gripe e contra a hepatite A. A técnica consiste em "matar" o vírus que entra na formulação, portanto, ele não pode se replicar e causar a doença quando entra no nosso organismo, mas a presença dele estimula reações do sistema de defesa, que passa a criar anticorpos. É uma tecnologia bastante conhecida, que usa o vírus inativado, ou seja, o vírus morto. Neste caso, se injeta a primeira dose e depois de 14 dias a segunda dose. A eficácia geral apresentada pelo Butantan para a CoronaVac nos testes brasileiros foi de 50,38%. Essa resposta é considerada muito boa, principalmente porque reduz muito o número de casos graves e as mortes.

 

  • A vacina da AstraZeneca utiliza uma técnica nova, chamada de "vetor viral não replicante". A tecnologia consiste em usar um outro vírus já conhecido como vetor para introduzir genes do coronavírus nas células. Nesse caso, o laboratório utilizou um adenovírus que infecta chimpanzés. O vírus foi alterado geneticamente para não se multiplicar e partes do coronavírus foram adicionadas a ele, o que faz o corpo humano produzir anticorpos ao ter contato com esse vetor. É a mesma tecnologia usada, por exemplo, nas vacinas Sputnik V e da Janssen/Johnson & Johnson. A eficácia geral divulgada pelo laboratório foi de 70%, mas é importante lembrar que essa vacina foi testada em uma parcela mais geral da população.

Foto: Arquivo/Portal Arauto
Vacinação em Santa Cruz do Sul iniciou em janeiro
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