Knips: de febre ao esquecimento


Por: Portal Arauto
Fonte: Jornal Arauto
Publicado 03/01/2021 08:00

Geral   JOGOS GERMÂNICOS

Um jogo de tabuleiro marcado pela técnica e inteligência. Assim podemos definir o knips, uma prática de origem alemã que por muito tempo esteve em destaque entre os jovens de comunidades religiosas como forma de disputa e diversão.

No Brasil, a modalidade teve grande influência no sul do país, em razão, principalmente, da chegada dos imigrantes alemães no Rio Grande do Sul. Em Vera Cruz, a modalidade já foi sinônimo de muitos finais de semana de integração e diversão na Comunidade Luterana de Ferraz. De acordo com o pastor da Comunidade, Norberto Hirschmann, era comum ver nos finais de semana os jovens se reunindo para praticar o esporte. “Teve um período em que era uma febre no grupo de jovens da Comunidade. Toda hora era hora de jogar”, relembra  o pastor.

TABULEIRO

O jogo é disputado em uma mesa de um metro de lado (externamente). Nos quatro cantos da mesa há vãos que formam as caçapas. Em cada um dos quatro lados do tabuleiro são fixadas paredes laterais com altura de 2,5 cm acima do nível do tabuleiro. A margem ou linha de jogo é traçada do lado da mesa, de trás dessa linha é de onde o jogador pode utilizar a sua joga ((pedra do jogador) para derrubar as pedras. 

O JOGO

Em Ferraz, os jogos eram realizados com 12 pedras claras, 12 pedras escuras e uma pedra rei. Após a realização de um sorteio para saber quem inicia, as 24 pedras e o rei ficam misturadas em um círculo no meio da mesa. A primeira pedra que cair em uma das caçapas será a que terá de ser utilizada até o fim do jogo por quem a fizer, e caso caírem duas ou mais de diferentes cores, o jogador pode escolher com qual cor vai disputar a partida. Se o jogador conseguir colocar uma pedra na caçapa, continuará jogando até não conseguir colocar uma da sua cor. Cada pedra encaçapada vale 1 ponto, e a pedra rei vale cinco. Se um jogador atirar a sua joga direto na caçapa, a pedra rei volta ao centro da mesa, mesmo se já tiver  feito outras pedras. O jogo termina quando a dupla ou o jogador (se for individual) encaçapar todas as pedras claras ou escuras e a pedra rei não estiver na mesa. Vence a equipe que somar o maior número de pontos.

TRADIÇÃO

Conforme Hirschmann, a sua relação com o knips já iniciou na infância quando, no interior de São Lourenço do Sul, uma família tinha o jogo e permitia que o grupo de jovens do qual Hirschmann participava passasse as tardes de domingo jogando. Com a entrada no Seminário Concórdia, da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em São Leopoldo, ele se deparou com o esporte novamente. “Havia colegas lá que faziam jogadas quase impossíveis. Era até difícil acreditar como eles conseguiam”, revela o pastor.

Na Igreja em que é pastor, Hirschmann conta que quando chegou, há 12 anos, a mesa já estava na comunidade. No entanto, foi necessário comprarem as pedras, pois estavam em falta. De acordo com o pastor, as peças foram adquiridas posteriormente em São Paulo das Missões, no norte do Estado.

Atualmente, a modalidade perdeu espaço entre os jovens da comunidade. Mesmo assim, Hirschmann lembra com  carinho dos momentos de diversão que a modalidade proporcionou e brinca: “era a opção para quem não gostava ou não sabia jogar pingue-pongue”, comenta bem-humorado.


Foto: Gabriel Fuelber/Jornal Arauto
Norberto guarda boas lembranças da mesa que antigamente era sinônimo de diversão
Norberto guarda boas lembranças da mesa que antigamente era sinônimo de diversão