O que contam os vera-cruzenses que vivem na Austrália sobre os incêndios florestais


Publicado em 14/01/2020 15:00 Geral   DE PERTO Fonte: Jornal Arauto

A Austrália vive a pior temporada de incêndios florestais da sua história. Desde setembro do ano passado, as chamas têm revelado triste cenário no país: pelo menos 28 pessoas perderam suas vidas e outras foram obrigadas a deixar seus lares, mais de duas mil casas foram destruídas e se estima que mais de um bilhão de animais tenham morrido. Além disso, algumas cidades ficaram sem eletricidade e sem cobertura de telefonia móvel. 

A situação é acompanhada por muitos brasileiros através do noticiário e das redes sociais. Mas, alguns, como Cintia Antunes e o cunhado Marcelo Vollbrecht, que moram há dez anos na cidade de Perth, no oeste do país, têm visto de perto a destruição e os reflexos causados pelo fogo. 

Sempre que os incêndios acontecem próximo a Perth ou até mesmo em distâncias maiores, os vera-cruzenses revelam sentir o cheiro de fumaça e uma espécie de neblina no ar, tamanha a força do fenômeno. Cintia, que vive no país com o marido Mark e os filhos Alina e Luke, conta que há cerca de dez dias não havia registros de fogo em seu estado, Western Australia, mas que de uns dias para cá, as chamas começaram a atingir a região. “Há uns três dias, era por volta de meia-noite e dava pra sentir o cheiro das queimadas de dentro de casa. Quando fui me informar onde era o local do fogo, ficava há cerca de quatro horas de Perth”, revela. Apesar de a cidade não ter sido tão atingida nesta temporada, a brasileira recorda que em anos anteriores, era comum ver o céu coberto pela fumaça ao sair de casa cedo pela manhã. “Lembro do barulho da sirene, do carro de bombeiros e da ambulância o tempo todo, passando por todos os lados”, completa. 

Queimadas fazem parte do cotidiano
Um país habituado ao cenário de queimadas. Infelizmente, segundo Marcelo, que também mora em Perth, com a esposa Viviane Antunes - irmã de Cintia - e os filhos Enrico e Gabriel, os incêndios fazem parte do cotidiano dos australianos. “A população se prepara para isso, mas infelizmente em algumas situações os focos de incêndio não são controlados a tempo e se alastram com muita facilidade para outros locais”, revela. No entanto, ao mesmo tempo em que o cenário já é comum aos moradores, o vera-cruzense afirma que o espírito de solidariedade também. Prontamente ao início dos primeiros focos de destruição, mobilizações tomaram forma em todos os cantos do país. “Os australianos, de forma geral, se mobilizam para ajudar as vítimas e, principalmente, os bombeiros florestais, que são todos voluntários. É comum ver campanhas de ajuda e empresas doando mantimentos para as famílias atingidas”, revela. Além disso, Cintia conta que as vaquinhas online também fazem parte das ações de solidariedade. “Elas arrecadam dinheiro para os australianos reconstruírem suas vidas ou para que os centros de proteção aos animais tenham condições financeiras de comprar remédios, medicamentos e tudo o que for preciso para a reabilitação dos animais atingidos pelas queimadas, como os cangurus e coalas”, explica. 

Contudo, ainda que as correntes do bem tragam esperança e alento àqueles que foram atingidos pelas queimadas, a incerteza de quando elas vão cessar ainda preocupa a população australiana. O fenômeno é natural, causado pela combinação de temperaturas superiores a 40 graus, pouca chuva - que deixa a vegetação seca - e pelos ventos fortes que agravam a situação espalhando as chamas, e deve ser realidade ainda nos próximos meses. 

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Incêndios têm ocorrido desde setembro do ano passado (Foto: Agência Reuters)










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