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“Ele não merecia isso”, diz irmã de jovem morto pelo pai em Vera Cruz


Fonte: Jornal Arauto
Publicado 18/11/2023 06:00

Polícia   DESPEDIDA

Por volta das 18h de segunda-feira, dia 13, no bairro São Francisco, um crime chocou Vera Cruz. As primeiras publicações acerca do assunto divulgaram que um pai havia matado o filho com uma facada. Versão confirmada na manhã seguinte, terça-feira, dia 14, quando a mãe e a irmã da vítima prestaram depoimento na Delegacia de Polícia Civil do município.

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Segundo relataram Eva da Cruz, madrasta que se considera mãe da vítima Rafael Martens Geraldo, de 26 anos, e a irmã - filha de Eva - Daiane da Cruz, em conversa com o Nosso Jornal, Rafael chegou em casa pedindo um boné para ir colher fumo na manhã seguinte. “O velho disse que para drogado não tinha nada lá”, contou Eva. Rafael respondeu o pai. “Eu fumo minha droguinha, mas trabalho para fumar”, lembrou ainda a mãe. O que aconteceu na sequência foi que o pai, Sérgio Geraldo, de 56 anos, se dirigiu ao balcão da cozinha, abriu a gaveta e sacou uma faca. “Fiz um sinal para o guri. Quando ele estava saindo porta afora, o velho o alcançou, deu uma gravata. Eu tentei me meter, mas não consegui. Ele prensou o guri contra uma tela e um poste que tenho na frente de casa e o esfaqueou. O guri não teve como se defender”, continuou relatando.

A cena de horror também vai ficar registrada na memória de Daiane, a irmã que morava em frente à casa onde ocorreu o crime e, por isso, presenciou o ato. “Nunca mais vou esquecer o que vi”,  disse abalada.

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Daiane contou que Rafael era filho apenas de Sérgio, mas sua mãe o criou desde os dois anos de idade, quando perdeu a mãe biológica, e confirmou que o irmão usava droga, mas estava tentando se recuperar. “Ele nunca pediu nada em casa, trabalhava e na segunda estava lúcido, tinha passado na minha casa para oferecer ajuda minutos antes de ir na casa da mãe. Ele não merecia isso”, declarou.

Após o crime, Daiane colocou o irmão no carro e saiu  em busca de socorro. No caminho, cruzou com os bombeiros que encaminharam Rafael ao HVC, onde foi a óbito.

Bebida e violência

Um homem violento e com o hábito de beber todos os dias. É assim que as duas descreveram Sérgio. “Na rua, se tu passar a Estrada Velha inteira perguntando quem era o Café (apelido de Sérgio), era o seu Café, a pessoa mais querida do mundo. Aí, dentro da casa era o demônio. Botava o pé pra dentro da casa e era o inferno que nós vivíamos”, revela Daiane.

Por conta do ocorrido, Eva trouxe à tona ainda uma série de agressões e ameaças  vindas do companheiro. Na ocasião, apresentava um hematoma no olho, que seria resultado de um soco de Sérgio, ocorrido na semana anterior ao crime. “Ele dizia que um dia me asfixiaria com o travesseiro, trancaria a casa e diria à polícia que morri dormindo. Nunca o denunciei, ele dizia que era réu primário, que cumpriria a pena, sairia e depois me mataria. E agora fez isso com o filho dele”, lamentou a companheira.

Sérgio teria cortado o próprio braço para simular legítima defesa no caso de filicídio, mas o ato foi testemunhado por vizinhos. Ele está detido no Presídio Regional de Santa Cruz do Sul.


Foto: Jaqueline Rieck/Jornal Arauto
Daiane e Eva, irmã e mãe da vítima, em frente à casa onde ocorreu o crime
Daiane e Eva, irmã e mãe da vítima, em frente à casa onde ocorreu o crime