Entidades debatem ações para manutenção do túnel verde em Santa Cruz


Por: Portal Arauto
Fonte: Prefeitura de Santa Cruz do Sul
Publicado 02/08/2022 20:33
Atualizado 02/08/2022 20:34

Geral   PREVENÇÃO

Minimizar os riscos de possíveis quedas de galhos e árvores sobre a via pública e manter preservado o que há décadas é considerado um dos maiores patrimônios da comunidade santa-cruzense: o túnel verde. Foi com essa proposta que representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Saneamento e Sustentabilidade (Semass), Secretaria Municipal de Governança e Relações Institucionais (Segovri), Procuradoria Geral do Município (PGM), Câmara de Vereadores, Ministério Público, Sindilojas Vale do Rio Pardo, Sociedade de Engenheiros e Arquitetos (Seasc), RGE, Afubra e Conselho Municipal do Meio Ambiente sentaram juntos nesta terça-feira (2) e abriram o diálogo em torno de um tema que tem sido alvo de  polêmicas, principalmente após a recente queda de uma árvore no calçadão da Marechal Floriano, entre as ruas Sete de Setembro e Borges de Medeiros.

O encontro foi aberto com a explanação da bióloga da Semass, Daiane Geiger, acerca do trabalho permanente de monitoramento dos 181 exemplares de tipuanas que constituem o chamado túnel verde, corredor de árvores compreendido entre as ruas Senador Pinheiro Machado e Borges de Medeiros. Além de aspectos relacionados à legislação vigente, ela apresentou as diferentes ações empregadas no monitoramento do corredor e como são feitos os registros das avaliações fitossanitárias, além de ações programadas e possíveis soluções para mitigar riscos. 

Durante a reunião diversas ideias foram elencadas pelas entidades e deverão ser colocadas em prática.  “Vamos aumentar e melhorar o monitoramento das árvores, seja através da compra de equipamentos de imagem ou da contratação de empresas prestadoras de serviços de escaneamento de caule e raízes”, afirmou o secretário municipal de Meio Ambiente, Saneamento e Sustentabilidade, Jaques Eisenberger. 

Também estão previstas a formação de um grupo de trabalho, com a participação de representantes das entidades para discutir toda a arborização urbana do município e ações para ampliar as estratégias de comunicação, a fim de que a população possa acompanhar os trabalhos, reduzindo mitos e a desinformação que, na visão geral dos participantes, vem gerando polêmica em torno do assunto. 

Após o tombamento da árvore na quadra em frente ao Palacinho, o MP instaurou um procedimento administrativo  e vem acompanhando o monitoramento do corredor de tipuanas de perto. No entendimento do promotor de Defesa Comunitária, Érico Barin, não há controvérsia entre os órgãos públicos acerca da manutenção do mesmo. “Essa polêmica de supressão e substituição das árvores tem origem no desconhecimento do assunto. Precisamos investir ainda mais em um trabalho de monitoramento que já vem sendo bem-feito pela secretaria, mas sempre em prol da manutenção deste que é um patrimônio de Santa Cruz do Sul”, disse. Ele sugeriu que haja mais ações de comunicação para que a população tenha ciência do que está sendo feito e também recomendou reforços na parte operacional, com uso de tecnologia, para que se possa aferir melhor a saúde das árvores e minimizar riscos à população e ao patrimônio público e privado.

Na mesma linha de pensamento, o vice-presidente do Sindilojas, Moacyr Rocha, manifestou que a entidade se sentiu prestigiada com o convite feito pela prefeitura para participar da reunião e convidou a Semass para uma aproximação maior com o comércio e para pensarem juntos de que forma o sindicato pode colaborar. “O túnel, que é uma marca da nossa cidade, precisa ser muito bem cuidado. Nós que visamos o turismo como chave mestra para nossos negócios, precisamos estar inseridos nessas discussões”, disse. Já o representante da Seasc, arquiteto urbanista Mário Luiz Dummer, comentou que a reunião convergiu de forma positiva. “Chegamos a conclusão de que precisamos dedicar tempo, material humano e tecnologia para manter esse nosso patrimônio paisagístico e cultural”. 

Queda de tipuana teve como causa inúmeros fatores

De acordo com a apuração dos técnicos da Semass, a queda de uma tipuana no dia 14 de julho não foi causada por um único fator, mas por uma associação deles. Contribuíram para o incidente o corte de algumas raízes durante a obra de construção do calçadão, a ocorrência de chuva e vento na noite anterior ao episódio, o peso da copa e o fato da árvore não estar em formação de túnel, mas isolada desempenhando função corta vento. 

Conforme o secretário da pasta, Jaques Eisenberger, o diálogo com as entidades vai continuar através da formação de um grupo específico para tratar da arborização urbana. Também, nos próximos dias, uma reunião com o Sindilojas será realizada para que a prefeitura apresente os resultados dos monitoramentos feitos. “É importante que os lojistas fiquem sabendo o que é feito em relação a essas árvores que muitas vezes são prejudiciais aos prédios mas que também devem permanecer pelo fato de atraírem turistas e consequentemente fomentar a compra e desenvolver a economia do nosso município”, disse. 

Jaques falou ainda que a queda da árvore sobre a principal via da cidade causou surpresa, medo e insegurança na população e é justamente essa sensação que se quer diminuir. “O túnel verde, além dos aspectos ambiental e paisagístico tem também um aspecto econômico a ser levado em consideração. Muitas vezes a gente acaba sendo questionado pela população sobre a sua manutenção ou não, mas vamos sim mantê-lo saudável, forte e com as árvores em bom estado sanitário. Não serei eu o secretário que vai terminar com o túnel verde”.

A árvore que tombou, de acordo com a legislação, não se encontra dentro dos limites considerados para o túnel verde, que vai da Rua Senador Pinheiro Machado até a Rua Borges de Medeiros. Na Marechal Floriano existem mais de 300 tipuanas, porém cincunscritas ao túnel são 181 exemplares.


Foto: Luiz Fernando Bertuol/Prefeitura de Santa Cruz do Sul
Encontro foi realizado nesta terça-feira
Encontro foi realizado nesta terça-feira