A fortaleza nasce com a mãe


Por: Portal Arauto
Fonte: Jornal Arauto
Publicado 08/05/2022 19:00

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Este Dia das Mães promete ser o mais especial na vida da vera-cruzense Grasiele Gonçalves Pereira, de 26 anos. Não, não é a primeira  vez que ela vai receber um presente ou abraço carinhoso pela data, já a viveu outras sete vezes com o primogênito, Pierre. Mas neste ano, Grasi, como é conhecida, pode celebrar a vitória da vida, da fé, da esperança. A planejada segunda gestação, que culminou em um parto de emergência, com risco para mãe e filho, teve final feliz. E toda mãe sabe que não há felicidade maior do que poder celebrar ao lado dos filhos. Será assim ao lado dos homens da sua vida, o companheiro, Mateus Tiago de Brum, e os dois filhos, Pierre e Pietro. Mas antes do final feliz, as páginas dessa história tiveram dor, angústia e incertezas.

A gravidez transcorria dentro do normal quando a família decidiu ver a magia do Natal Luz, em Gramado, no fim do ano passado. “Passeamos domingo e segunda, já na terça iríamos vir embora, mas acordei pelas 5 horas da manhã com dor forte na boca do estômago, tentava dormir e não conseguia mais”, relembra. A família chegou ao hospital por volta das 7h30min e a pressão de Grasi estava 19 por 8. Os exames começaram a ser feitos à tarde e com o resultado de alteração, “o médico deu a notícia que teríamos que interromper a gestação, e disse: só posso te liberar na ambulância para um hospital que tenha UTI neonatal. Cheguei a pensar que iria perder ele”. Começou a mais longa viagem da vida da vera-cruzense. Enquanto marido e filho voltavam de carro, ela foi removida de ambulância até o Hospital Santa Cruz, onde chegou perto das 23h30min. Foi o tempo de refazer os exames, confirmar as alterações e ser preparada para o parto. 

Para quem aguardava o nascimento só para o dia 10 de março, foi dia 29 de dezembro, com 29 semanas e seis dias de gestação, que Pietro veio ao mundo, à 1h16min da madrugada, pesando 1kg135gramas. Assim como havia sido difícil o dia anterior, o parto também foi. “Deu hemorragia, a placenta estava bem grudada, ele não estava pronto para nascer”, desabafa a mãe, que idealizava aquele momento, com tranquilidade, como foi com Pierre, que nasceu de parto normal. Mas Pietro chegou e ao ouvir o seu choro - num momento que Grasi pensou que o filho nem iria mais chorar - foi emocionante. E foi ouvido na companhia da própria mãe, Cinara, que a acompanhou no parto. Aquele contato foi rápido, porque o menino precisava imediatamente ir para a UTI. Mas junto dele, nasceu uma nova versão de Grasiele mãe. Mais forte, mais resiliente, mais tudo.

Emoção em muitas primeiras vezes

Foi no dia seguinte que Grasi pode tocar a mãozinha do filho na encubadora, na UTI. O reencontro tão esperado, marcado pela emoção. Que só foi superado pelo dia 13 de janeiro, quando o bebê finalmente atingiu o peso que possibilitava o colo da mãe. O ano virou dentro do hospital e passados 15 dias do nascimento, Grasi pôde finalmente ter seu desejado caçula nos braços pela primeira vez. Foi o momento mais esperado, mais tocante, o corpo grudado no corpo, a troca de calor, o olho no olho. “Aí tudo fez sentido. Quis pegar ele e não largar mais. Eu ouvia repetidas vezes que o Pietro estava estável, mas o que eu queria mesmo ouvir é que ele estava bem”, desabafa.

Depois de um mês e 11 dias, outro momento significativo: a alta. “Foram dias intensos que contávamos cada segundo, cada grama era uma vitória para ele, para a gente”, completou, vibrando com os 2kg56gramas atingidos por Pietro.

Nos momentos de angústia, não raras vezes a família se questionou: por que tinha que acontecer tudo isso? Mas Grasi, resiliente, acredita que seja parte do aprendizado, da lição que Deus quer ensinar. “Quando entrei na UTI mudei meu pensamento de ficar me lamentando, pensei: ‘não é só comigo’. Tanta gente passando por situação parecida ou muito mais grave”, frisou. “Passou pela minha cabeça que não ia ter meu gurizinho, mas em todo trajeto na ambulância, rezei muito, pedi para minha falecida vó Ana que colocasse sua mão e ajudasse neste momento”, completa.

Nada se desenrolou como o planejado, daquelas idealizações de chá de bebê, de fotos de gestante e tudo mais. Mas cada obstáculo superado fez de Grasi uma mãe mais forte para proteger, educar e amar Pierre e Pietro, dois irmãos que são parceiros desde o primeiro contato e fizeram com que a família se fortalecesse. E aprendesse com as lições que a vida teima em ensinar para que o final desta história fosse feliz. Aliás, é bem verdade que ela está bem longe de ser o final. Porque o livro da vida de Pietro está apenas no primeiro capítulo.


Foto: Carolina Almeida/ Jornal Arauto
Grasi com os filhos Pierre e Pietro, celebra a vitória da vida neste Dia das Mães
Grasi com os filhos Pierre e Pietro, celebra a vitória da vida neste Dia das Mães

A fortaleza nasce com a mãe