Ela escolheu ver a vida com mais doçura


Por: Portal Arauto
Fonte: Jornal Arauto
Publicado 02/01/2022 10:00

Geral   MUDANÇA DE VIDA

Três xícaras de determinação. Cinco colheres de coragem. 1/2 litro de superação e, para completar, o recheio de amor. Esses são os ingredientes que fazem parte da receita de felicidade de Rosane Woyciekoski, de 53 anos, que em 2021 se redescobriu profissionalmente. Após vencer a batalha contra o câncer no final de 2020, ela sabia que o ano seguinte prometia gratas surpresas. E assim aconteceu. Depois do tratamento contra a doença e de cuidados redobrados com a saúde - ainda fragilizada - por conta da pandemia da Covid-19, a vera-cruzense descobriu no confeito de tortas uma paixão. Mais que um hobby ou um recurso para pagar as contas no fim do mês, a atividade fez Rosane enxergar a vida com mais doçura. 

Até 2017, ela trabalhava em uma área completamente diferente: a Saúde. “Eu era técnica de enfermagem no Hospital Santa Cruz [o HSC] e eu adorava. Amava cuidar das pessoas. Mas com o tempo vieram os netos [Vitória, de nove anos, Miguel, de dois, Isadora de um ano, além de Arthur, que está a caminho], eu tinha plantões nos fins de semana de 12 horas e não estava mais sobrando tempo para a família. Então, acabei saindo”, conta Rosane, que logo depois  teve o primeiro contato com a área da gastronomia de forma profissional. Aventurou-se no confeito de bolos e pães caseiros para venda. Contudo, quando começou a criar um gosto especial pelo hábito, recebeu uma notícia que não esperava: teria de enfrentar um câncer. 

Prontamente, deixou de lado a atividade e passou a se dedicar inteiramente - ao longo de 2020 - à quimioterapia e aos demais cuidados necessários ao tratamento contra a doença. Passado um dos períodos mais difíceis de sua vida, tendo o marido Antônio Woyciekoski (o Toninho), os filhos Jefferson, Renã e Elizandra, além das noras, do genro, entre outras pessoas ao seu lado, Rosane teve de redescobrir o que gostaria de fazer de sua vida. A tarefa não foi fácil, conta ela. Especialmente pela idade, quando se considerava até audaciosa em apostar em uma nova profissão nesta altura da vida, já que por conta da pandemia e os cuidados necessários com a saúde, retornar ao trabalho como técnica de enfermagem ficou fora dos planos. 

A REDESCOBERTA

“Tudo começou com uma torta que fiz para o aniversário da minha nora, em setembro deste ano. Quando ela me pediu, até repensei se seria capaz, porque nunca tinha feito. Mas deu tão certo e as pessoas adoraram, que lá mesmo teve gente que fez encomendas. E a partir daquelas, mais encomendas surgiram”, recorda Rosane sobre o momento em que descobriu uma nova vocação. Hoje, as encomendas não param, tanto que para o Natal foram 26 tortas confeitadas e para a véspera e o feriado de Ano Novo já são mais 17 encomendadas. “Sempre quis fazer tortas, tanto que estou fazendo um curso no Senac, em Santa Cruz, para me aperfeiçoar”, acrescenta a confeiteira. 
Apesar de exigir muito esforço - o que por vezes rende puxões de orelha por parte dos filhos -, a atividade tem sido recompensadora para a vera-cruzense. “A recompensa de tudo isso são os elogios. Eu adorava minha profissão como técnica, mas agora me reencontrei, me permiti viver outra coisa. Estou realizada. Agora faço o serviço em casa, quando tenho tempo, cuido dos meus netos. Consigo conciliar a família e o trabalho. Troquei as dores pelos doces”, enfatiza ela, que por ser apaixonada pela família, se sente ainda mais realizada ao saber que suas tortas fazem parte das reuniões, encontros e celebrações de tantas outras famílias. 


Foto: Jornal Arauto / Taliana Hickmann
Rosane redescobriu na confeitaria a importância dos momentos doces da vida
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