Aumentam denúncias de abuso sexual contra menores em Vera Cruz


Por: Portal Arauto
Fonte: Jornal Arauto
Publicado 01/09/2021 18:00

Geral   CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Os recentes casos de violência e, até mesmo do desaparecimento e morte de crianças e adolescentes chamam atenção de todos, tamanha a crueldade. No entanto, a pacata cidade de Vera Cruz, no Vale do Rio Pardo, com os pouco mais de 27 mil habitantes, também revela números preocupantes, principalmente em relação ao abuso sexual de menores. De acordo com o Conselho Tutelar, durante o período de aulas em casa, por conta da pandemia, este tipo de denúncia aumentou aproximadamente 200%, e com o retorno às escolas, um novo crescimento, justificado pela confiança dos alunos nos educandários e profissionais da educação. “Agora, as crianças e adolescentes têm para quem contar os abusos sofridos, na grande maioria, no ambiente familiar”, revela o conselheiro tutelar Sandro Schipper.

Apesar do sigilo envolvendo os casos nos quais crianças e adolescentes sejam vítimas, o presidente do Conselho, Leandro Reinicke, revela que os abusadores estão em qualquer parte e onde menos se espera, sem mesmo dar sinal da condição. “Não está escrito abusador na testa de ninguém. São pessoas que circulam normalmente pela rua e, muitas vezes, que são conhecidas da sociedade”, comenta.

Além dos traumas psicológicos, que deixam marcas toda a vida das vítimas, os conselheiros alertam para a necessidade de atenção aos sinais. “A criança ou o adolescente que não teve o devido acompanhamento quando foi vítima, tem traumas irreparáveis e pode vir a ser um abusador no futuro. Por isso, quando constatamos este tipo de situação, as vítimas passam por um acompanhamento de psicólogas no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) e depois recebem outros tipos de atendimento neste sentido para minimizar os traumas. Às vezes são necessários até mesmo medicamentos”, explicam.

Mesmo sendo difícil de identificar, as pessoas do convívio social de crianças e adolescentes precisam estar atentas a alguns sinais que podem representar os abusos. “Em alguns casos, além do abuso sexual propriamente dito, existe o abuso psicológico, ou seja, as vítimas normalmente são coagidas a não revelarem o que estão passando. No entanto, alguns indicativos, como as vítimas se tornarem mais introvertidas, pesadelos, ter medo de escuro, urinar na cama, não querer visitar pessoas que normalmente visitava, entre outras situações que seja diferente do agir normalmente, podem sinalizar o abuso. A dica que damos é para que estes sinais sejam percebidos e estas crianças sejam escutadas”, destacam os conselheiros.

Outro problema recorrente é a drogadição de familiares e responsáveis por crianças e adolescentes. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em um ambiente onde há drogas, não podem haver crianças. “Nosso principal motivo de afastamento de crianças do afastamento familiar é por contas das drogas, muitas vezes, mães ou pais são usuários e o ECA é bem claro em relação a isto. Estes casos também estão aumentando aqui. O primeiro passo é enviar os tutores para reabilitação, mas em diversos casos a reabilitação é abandonada no meio, aí temos um outro problema”, ressaltam.

Vera Cruz atualmente tem uma casa de passagem mantida pela Prefeitura para o acolhimento de menores retirados definitivamente ou afastados temporariamente do convívio familiar. Porém, antes que isso ocorra, os parentes mais próximos são acionados para ver se há condições da manutenção das crianças no ambiente familiar. No local, atualmente, vivem nove crianças e adolescentes que tiveram algum direito violado.

O Conselho Tutelar alerta para que, em caso de suspeita de abusos contra crianças e adolescentes, o órgão seja acionado. Em Vera Cruz o Conselho fica na Rua Ipiranga, 648, no Centro e atende pelo telefone 3718-3258.

Tristes marcas na história de Vera Cruz

Dois crimes contra crianças chocaram a comunidade local e deixaram uma triste marca na história de Vera Cruz. Ambos foram registrados no mês de novembro. No mais antigo, em 1994, uma menina, de 6 anos na época, foi violentada e morta no Bairro São Francisco. O crime foi cometido por dois jovens, que confessaram a autoria. Já em 2014, o adolescente Matheus Tesch, de 14 anos, foi morto e enterrado pelo cunhado, que também confessou o crime, à margem do Rio Pardo , na localidade de Rebentona, divisa de Vera Cruz e Santa Cruz do Sul. 


Foto: Taliana Hickmann/Jornal Arauto
Crimes violentos têm chamado atenção pela brutalidade e colocam o Conselho Tutelar em alerta. Recomeço nas escolas alerta
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Jornal Arauto de 28 de novembro de 2014
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Vera-cruzense de 6 de novembro de 1994
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