Saiba como o IGP contribuiu para prisão de mulher que matou o marido em forno de fumo


Por: Portal Arauto
Fonte: Assessoria de Imprensa
Publicado 09/07/2021 08:22
Atualizado 09/07/2021 08:24

Polícia   PERÍCIA

Um caso que chocou o Estado: o assassinato brutal de um agricultor no município de Dom Feliciano, na zona sul, cometido por sua esposa. Erni Pereira da Cunha, de 42 anos, foi queimado vivo em uma fornalha de tabaco, em 15 de fevereiro. A mulher confessou o assassinato e indicou a fornalha, mas não foi possível identificar vestígios do corpo em um primeiro momento. Foi aí que iniciou o trabalho do IGP.

O perito médico-legista Wladimir Ribeiro Duarte, da 3ª Coordenadoria Regional de Perícias, foi o responsável por identificar a ossada humana na fornalha. O trabalho  exigiu tempo e muita paciência, pois o assassinato tinha ocorrido há três meses e havia muitos resíduos para serem periciados na fornalha. “Os resíduos (retirados da fornalha) pesavam 14 quilos, basicamente compostos por cinzas e carvão. Procurei, pacientemente, em todo o material e, por separação manual, consegui dois fragmentos muito pequenos que lembravam esquírolas ósseas (lascas de ossos)”, conta Wladimir.

Os fragmentos encontrados foram levados para análises químicas -, feitas em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) -  com o objetivo determinar se eram ossos humanos. “Para o nosso contentamento, a microscopia eletrônica revelou que tinham os critérios para osso humano”. A delegada responsável pela investigação, Vivian Duarte,  elogiou a atuação do perito no caso: "O trabalho foi fundamental para comprovar a materialidade dos crimes de homicídio e de ocultação de cadáver”.

O perito explica ainda que, pelos fragmentos terem passado por processo de incineração, o material genético perdeu parte de sua estrutura natural. Para ele, o crime bárbaro testou os limites da perícia: “foram necessárias mais de três horas de separação por técnica de imantação e peneiração para encontrar pequeníssimos fragmentos suspeitos”. A esposa de Erni, Elizamar Moura, de 35 anos, que confessou o assassinato, foi denunciada pelo Ministério Público por homicídio duplamente qualificado.


Foto: Divulgação
Fragmentos encontrados na fornalha foram separados manualmente
Fragmentos encontrados na fornalha foram separados manualmente