Mais de 100 tiros e carros apreendidos. O que a Draco já sabe sobre a tentativa de resgate na Peva


Por: Portal Arauto
Publicado 25/05/2021 06:52
Atualizado 25/05/2021 17:21

Polícia   INVESTIGAÇÃO

Será prioridade na Delegacia de Polícia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) a investigação que busca apurar as circunstâncias e identificar os responsáveis pela tentativa de resgate na Penitenciária Estadual de Venâncio Aires (Peva). O crime ocorreu na madrugada do último domingo (23) e só não foi consumado pela rápida ação de policiais militares e agentes da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), que trocaram tiros com os criminosos.

Já nesta segunda-feira (24), a equipe de investigação teve acesso ao relatório inicial da ocorrência, bem como às munições e outros itens dos criminosos apreendidos no local. O documento, feito horas após o ataque, lista os rastros deixados pela quadrilha. Entre eles estão munições de cinco calibres diferentes, incluindo de fuzis calibre 5.56. 7.62 e 223. Poder bélico que chamou a atenção da polícia. "Não é um fato comum, principalmente na região, o que demonstra a gravidade dessa ação que atentou contra a Peva. Chama atenção pela audácia, mas também pelo armamento, pois foram utilizadas armas de grosso calibre, de uso das forças armadas e forças policiais. Os explosivos e escudos artesanais encontrados também surpreendem, o que mostra que estariam bem preparados", destaca o titular da Draco, delegado Marcelo Chiara Teixeira. 

Conforme a Polícia Civil, foram ao menos 165 disparos efetuados contra os agentes policiais. Já os explosivos, que posteriormente foram desarmados pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Brigada Militar, haviam sido colocados no espaço próximos das grades da penitenciária.  A suspeita é que seriam usados para explodir uma das paredes da Peva. Além das provas que denotam o poder bélico do bando, a polícia terá em mãos em breve o laudo do IGP, com o material genético apreendido no local. O objetivo é saber quantos criminosos participaram da ação, bem como identificá-los. Uma touca ninja, com marcas de sangue, foi abandonada, o que leva a polícia a acreditar que um dos criminosos possa ter sido baleado na cabeça. "Realizaremos todas as diligências possíveis com o objetivo de elucidar o crime. Vamos aguardar a chegada dos materiais do IGP, mas paralelo a essa espera estaremos ouvindo depoimentos e buscando imagens que possam ajudar na investigação. Pedimos também que se a comunidade tiver alguma informação que possa colaborar entre em contato diretamente com a Draco", pontua. O telefone para contato é o 3719-9920.

Também foram apreendidos nos carros e no terreno garrafas com gasolina e álcool, além de uma serra elétrica portátil.

Terceiro carro usado foi apreendido nesta segunda

Após o insucesso da tentativa de resgate, a quadrilha ainda se deparou com outra dificuldade: o Jeep Renegade, que contava contava com placas metálicas na parte interna pra proteção de disparos, e a Captiva, blindada, ficaram atolados no terreno ao lado da penitenciária. Assim tiveram que fugir em outro veículo que aguardava em outro ponto da estrada. "O relatório inicial traz a participação desse terceiro veículo, mas vamos trabalhar pra saber se não havia mais um. Além disso queremos saber para qual lado seguiram, se para o interior, ou se voltaram para a RSC-287", comenta. 

O terceiro carro foi localizado nesta segunda por Policiais do Comando Rodoviário da Brigada Militar de Santa Cruz. A Ecosport preta, com placas Mercosul, foi encontrada abandonada na localidade de Picada Mariante, interior de Venâncio Aires. O veículo estava sem as rodas e com marcas de tiro, além de conter sangue em seu interior. O carro foi removido ao guincho e submetido à perícia pelo IGP.

Miguelitos foram cadeados na ponte

Também estão de posse da polícia os miguelitos colocados pelos criminosos para dificultar a chegada da polícia na cena do crime. O material foi instalado junto a uma ponte da rodovia e cadeado para dificultar a retirada. "Eles colocaram os miguelitos junto a correntes e cadearam nos pilares das pontes", relata o delegado Marcelo Chiara Teixeira

Ainda de acordo com Chiara, a Susepe já realizou a transferência do suposto preso que seria resgatado, mas a investigação agora trabalhará para comprovar o envolvimento desse detento na ação. A identidade dele não foi divulgada. Além dele, um outro detento foi transferido. A ação aconteceu nesta segunda-feira.


Foto: Guilherme Bica/Portal Arauto
Delegado Marcelo Chiara com as munições apreendidas
Delegado Marcelo Chiara com as munições apreendidas

Foto: Guilherme Bica/Portal Arauto
Miguelitos deixados pelos bandidos em ponte próxima à penitenciária
Miguelitos deixados pelos bandidos em ponte próxima à penitenciária