Há 44 anos, legado de inspiração e amor na Polícia Civil da região


Por: Portal Arauto
Publicado 25/04/2021 17:52
Atualizado 25/04/2021 18:03

Polícia   HOMENAGEM

O quanto você já sonhou com o futuro? Em chegar em uma fase da sua vida podendo olhar para trás e ver que fez tudo certo? Sabendo que conquistou amigos por onde passou e que a honestidade, o caráter e o profissionalismo serão seus maiores legados? A história a seguir é de uma pessoa que segue a risca a linha: exemplo de vida, de pai, de amigo, de colega de trabalho. Valmir Lopes dos Santos, de 66 anos. Comissário de Polícia - a última promoção possível para um agente -, o profissional é natural de Candelária e atua na Delegacia de Repressão as Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Santa Cruz do Sul. Foi por aqui, aliás, que passou boa parte da sua vida. Vida essa dedicada e dividida quase que em sua totalidade ao grande amor: a Polícia Civil.

Para isso, tinha o incentivo do cunhado, que era policial e deu o primeiro “empurrão”. O segundo veio anos mais tarde quando, aos 21 anos, da janela da Escola para agentes penitenciários, em Porto Alegre, via as viaturas da Civil cruzarem a Rua Siqueira Campos. “Eu olhava aquilo e achava muito bonito. Pensava que um dia eu ia estar dentro daquela caminhonete veraneio trabalhando e que, um dia, eu ia ser policial”, relembra.

Foi quando seguiu com leituras e muito estudo. Trabalhou por um ano como cobrador de ônibus na Carris e após, quando aprovado agente penitenciário, cumpriu função no Presídio Central, também em Porto Alegre. Porém, ele estava convicto sobre o que desejava. Um ano mais tarde, em 1978, foi aprovado como Inspetor de Polícia de 1ª Classe e designado para atuar em Vera Cruz. “Eu lembro como se fosse hoje. Passa um filme de eu descendo do ônibus na rodoviária. Parece que tudo passou tão rápido”, recorda emocionado.

O tudo, no caso, são 44 anos de atuação na Polícia Civil da região. Mais de 16 mil dias divididos entre Polícia Civil de Vera Cruz, Circunscrição Regional de Trânsito de Santa Cruz, que antigamente era ligada à Polícia, e outros tantos dias, meses e anos entre 1ª DP, Defrec e Draco de Santa Cruz. “É algum tempo e alguma história pra contar. Lembro de investigações marcantes. Tem os episódios do Seco, que participei mais como acompanhante. Lembro do receio que se tinha em prender ele pelo fato de estar sempre fortemente armado, com armas pesadas. Mas, curiosamente, depois de tanto planejar essa prisão, o colega Félix acabou prendendo ele em um posto de combustíveis. Foi um episódio que me marcou”, conta.

O ser polícia

No dia a dia atual, a rotina do Comissário Valmir é baseada na organização. Cabe a ele as funções da secretaria da Draco e toda a burocracia. Nas prateleiras da sala, caixas com inquéritos cuidadosamente separados. “Sou encarregado de pegar as ocorrências diárias que chegam, fazer o cadastramento delas e passar para o delegado que, posteriormente, despacha. Ai faço as instaurações dos inquéritos e divido entre os escrivães. Faço também o mapa mensal de produção, dentre outras atividades”, aponta.

E com todo esse tempo de atuação são muitas as mudanças profissionais entre as décadas que passaram. Entre a secretaria e as idas para a rua em investigações, muita coisa mudou. Pelo olhar do comissário algumas impactaram diretamente na rotina de trabalho. “Teve muita lei que surgiu. Não vou dizer que os legisladores fizeram elas para beneficiar os “fora da lei”, mas ficou muito difícil para a polícia. Antigamente o chefe de investigação ao ter provas robustas de um crime ficava vigiando a casa do alvo e passava para o delegado que fornecia os mandados. Era tudo rápido. Hoje está mais demorado. O que saía em duas horas, às vezes leva mais de 24 horas e isso muitas vezes acaba prejudicando a investigação”, diz.

Outra mudança na ótica de quem vive a profissão há tempo é relacionada diretamente à sociedade. “As pessoas de bem sempre respeitam a polícia. Mas para as pessoas fora da lei está tudo mais fácil. Não existe mais respeito. Viaturas são apedrejadas hoje, o que não acontecia lá atrás, quando todo mundo respeitava a polícia. Hoje também é preciso cuidar para algemar, porque no algemar o policial pode responder por lesões corporais caso machuque. Eu me atrevo a dizer que a criminalidade avançou porque as leis também favoreceram”, destaca

Mas as mudanças não diminuem a importância do policial na sociedade. Mesmo hoje não fazendo mais algumas tarefas que antes eram diárias, Valmir pontua a importância da profissão. “Quem está em alguma situação de risco, por exemplo, sempre pensa em chamar a polícia. Eu brinco que se você está em perigo você pensa em duas coisas: em Deus e na polícia. E pra quem está aqui, muitas vezes, não existe hora para dormir. Os colegas que saem pra fazer serviço passam a noite. É perigoso. Por isso é preciso que se respeite essa profissão. O policial para a sociedade é um anjo da guarda”, frisa.

Dos colegas e do chefe, respeito e admiração

Correto, de coração enorme, amigo, confiável: um cara diferente.  Ao longo dos 44 anos de atuação na Polícia Civil foram muitos os Joãos, Paulos, Flávios, Moinas que, além de colegas de trabalhos, se tornaram amigos. Hoje, quem circula pelo prédio da Draco, nota com facilidade o respeito, o carinho e o quanto a trajetória do Comissário Valmir serve de exemplo para os colegas. Dos 13 delegados regionais que ilustram uma galeria de quadros no terceiro piso da sede da 16ª Delegacia, só não trabalhou com um deles. “Eu conheço o Valmir há 10 anos e diretamente trabalho com ele desde 2017. É um cara que vive a polícia. Sabe ser alto astral, mas sério e extremamente dedicado quanto ao trabalho. Um braço direito e extremamente importante para todos aqui, como colega e como amigo”, avalia o atual chefe, delegado Marcelo Chiara Teixeira.

Aposentadoria? Nem pensar

Quando perguntado se pensa em parar, Valmir é taxativo. “Alguns colegas ainda perguntam e a primeira coisa que digo: se eu me aposentar e ficar em casa eu vou ficar doente. Enquanto eu tiver saúde e as chefias me aceitarem eu vou ficar. E eu sei que para isso tenho que trabalhar igual e até mais que os novatos para mostrar que eu posso continuar”, afirma.

E se os filhos Israel e Tiago não escolheram a mesma profissão, certamente olham com carinho o legado já construído pelo pai. “Eu vejo muito as pessoas dizendo e afirmando que são honestas. Não tem que dizer que você é o honesto. Você tem a obrigação de ser honesto. Meu pai sempre dizia para só fazer as coisas certas e assim fiz a minha vida inteira. O meu legado vai ser mostrar para os meus filhos que o pai deles teve tantos anos de polícia e nunca se corrompeu. Meu pai foi um policial que somente trabalhou. Quero que eles sintam orgulho de mim. E quero que meus colegas digam que o Valmir foi um grade colega”, finaliza


Foto: Guilherme Bica/Portal Arauto
Na semana em que se comemora o Dia do Policial Civil, Comissário Valmir dos Santos conta trajetória de profissionalismo e honestidade
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