Proprietários de restaurantes noturnos pedem igualdade nas regras durante a pandemia


Por: Portal Arauto
Publicado 26/03/2021 17:00
Atualizado 26/03/2021 18:04

Geral   DIFICULDADES

Com a intenção de evitar a propagação do coronavírus, o Governo do Estado estabeleceu uma série de regras que mudam a forma de operação e o horário de funcionamento de empresas de diferentes segmentos. Embora muitos serviços tenham sido afetados financeiramente com as medidas impostas, alguns segmentos foram fortemente atingidos e lutam para se manterem, como é o caso dos restaurantes, pubs, bares e pizzarias noturnos, já que o decreto permite a abertura apenas até as 18h. 

O presidente da Associação de Bares, Restaurantes e Similares de Santa Cruz do Sul, Roberto do Nascimento e Silva, destaca que cada dia é uma luta para que os compromissos sejam honrados com os funcionários, aluguéis dos estabelecimentos, tributos e fornecedores. Conforme ele, a situação dos empreendimentos desse ramo é delicada: "Não temos mais como sustentar os compromissos mensais, porque, afinal de contas, estamos sem conseguir trabalhar à noite. As restrições do decreto do governador, que encerra as atividades presenciais até as 18h, nos inviabiliza as operações que são presenciais".

Ele reforça que não existem mais recursos, porque não se gera receita alguma nos restaurantes, pubs, cafés e bares noturnos: "Nós não queremos nada além do que os restaurantes podem fazer ao meio-dia. Os supermercados vendem alimentos e bebidas até 22h, por que nós, restaurantes à la carte, bares, chopperias, pizzarias, que obedecemos todos os protocolos, não podemos operar? Nós só queremos a sobrevivência das nossas empresas". 

Segundo o presidente da associação, as demissões de profissionais nesse segmento à noite já ultrapassam 50% em Santa Cruz, sendo que existe a possibilidade de serem registrados mais desligamentos caso nenhuma outra medida seja tomada: "Porque faz 12 meses que não temos mais nossas operações normais. A tendência é de que além das demissões, se fechem empresas." Sobre o trabalho em sistema delivery, ele comenta: "Como nós historicamente não somos delivery, não somos lembrados. Já existem empresas sólidas e consolidadas que atuam no delivery. O delivery não representa 5% de um restaurante tradicional em relação ao faturamento. Se pensa inclusive em se abrir os restaurantes no meio-dia, mas isso remete a uma nova operação, ou seja, estaria se abrindo um "novo" restaurante, sendo que já existem empresas sólidas que atuam no segmento nesse horário. É trabalhoso, difícil e demanda tempo e não temos mais esse tempo".

A esperança, conforme ele, é de que o Poder Público auxilie os empresários de estabelecimentos que abrem à noite, no sentido de entrar em contato com o Governo do Estado para explicar a situação das empresas e buscar alternativas.

Momento difícil 

Quem também sente na pele as dificuldades de manter o empreendimento é Gustavo Tonoli Angeli, proprietário de um restaurante de Santa Cruz do Sul. Devido ao horário de funcionamento imposto pelo decreto, ele destaca que se torna impossível trabalhar presencialmente à noite. Ele lamenta o momento: "Estamos em uma situação muito mais difícil se comparada ao ano passado, porque ano passado nós ao menos tivemos o auxílio do Governo para pagarmos parte do salário dos funcionários. Neste ano não estamos tendo essa ajuda".

Para evitar qualquer demissão, o proprietário ressalta que tem dado férias aos funcionários e trabalhado com banco de horas. "Foi uma política adotada pela empresa para não demitirmos ninguém, mas não sabemos até quando conseguimos manter esse tipo de filosofia. A Prefeitura e Governos não abriram mão de impostos e cada mês é uma luta para honrarmos com as contas", observa. 

Prova de que a situação está difícil está na queda de 60% no faturamento do estabelecimento. Conforme ele, a expectativa é de que o Poder Público estabeça regras norteadas pela igualdade: "A gente não quer 100% de ocupação do resturante. Aceitamos que as mesas tenham distância e que haja um número limitado de pessoas, mas queremos que o Poder Público nos dê ao menos igualdade. Só estamos pedindo para trabalhar das 18h às 22h".

O profissional ainda complementa que trabalhar no sistema delivery continua sendo inviável: "Pelo fato do meu restaurante ter 14 anos no mercado, já se consolidou como um restaurante de atendimento presencial. Não adianta as pessoas dizerem para todo mundo se reiventar, porque reiventar leva tempo, não é do dia para a noite. O atendimenrto presencial tem importância total para nós".


Foto: Pixabay/ Divulgação
Pedido é para que os estabelecimentos possam abrir presencialmente também à noite em Santa Cruz
Pedido é para que os estabelecimentos possam abrir presencialmente também à noite em Santa Cruz