“Achei que ia morrer”, diz jovem vítima de atropelamento com fuga em Vera Cruz


Por: Portal Arauto
Fonte: Jornal Arauto
Publicado 26/03/2021 19:02
Atualizado 26/03/2021 19:03

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A vera-cruzense Leiliane Ionara Hirsch jamais vai esquecer o dia 4 de março de 2021. Na data, em meio à chuva forte, ela trafegava de moto pela rua João Fischborn quando, após passar por um quebra-mola, se desequilibrou e caiu. Segundos após a queda, o veículo que seguia logo atrás cruzou por cima da jovem – atingindo as pernas e seu ombro esquerdo - e o motorista fugiu sem prestar socorro. 

Leiliane, de 23 anos, conta que se recorda de frear a moto e a roda de trás travar, além de o paralelepípedo estar molhado, o que teria ocasionado a queda. “No momento em que caí, senti o carro em cima de mim, as rodas bem próximas da minha cabeça. Aliás, ele poderia ter passado por cima dela, porque ele acabou atingindo meu ombro. Achei que ia morrer. Foi muito rápido, não deu tempo de entender o que estava acontecendo”, relembra. “Assim que aquele peso do carro passou, olhei para o lado e vi que ele estava indo embora, sem nem mesmo saber se eu estava viva ou morta”, acrescenta. 

Após o condutor do veículo deixar o local, a jovem foi socorrida, inicialmente por populares que ouviram seus gritos em meio a chuva forte. “Achava que estava toda quebrada. Lembro que quando entrei na ambulância só consegui agradecer a Deus por não ter sido pior, porque ele poderia ter passado na minha barriga, atingindo as costelas e quem sabe eu ter perfurado o pulmão”, relata. Leiliane revela que o lado esquerdo do seu corpo foi o mais atingido pelo impacto, que também deixou hematomas nas suas pernas. Além disso, foi atingida no ombro. “Dá pra entender a proximidade das rodas com a minha cabeça pelas marcas do para-choque do carro no capacete. Até hoje não consigo mexer meu ombro, além de ter dificuldades para caminhar, pelos machucados no pé”, complementa.  

INVESTIGAÇÃO

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Vera Cruz. Segundo o delegado Paulo César Schirmann, através de imagens das câmeras de estabelecimentos próximos ao local do atropelamento, além do cruzamento de dados de veículos da região com características semelhantes às identificadas nas imagens, o carro do motorista foi identificado. Posteriormente, com o auxílio da Brigada Militar, o condutor, um jovem de 21 anos, também teve a identidade revelada. “O indivíduo prestou depoimento no fim da semana passada na Delegacia. Ao chegar lá, inclusive, ele não fazia ideia do porque estava ali, pois segundo ele acreditava que não aconteceria nada com ele. Esse jovem relatou, até mesmo, que após fugir do local do acidente e negar o socorro à vítima, teria chegado em casa e relatado o ocorrido aos familiares, que orientaram que nada poderia lhe ocorrer”, afirma o delegado.  

Schirmann revela, ainda, que o jovem irá responder por lesão corporal culposa e fuga do local do acidente e que o inquérito deve ser concluído nos próximos dias. 

SEGUINDO EM FRENTE

Além dos ferimentos, Leiliane segue lidando com os traumas psicológicos ocasionados pelo atropelamento. Ela conta que durante noites teve dificuldades para dormir, pois ao deitar na cama só conseguia lembrar da imagem do carro em cima do seu corpo. “Foi uma reação muito fria por parte do motorista. E perceber que ele não estava nem aí se eu estava bem ou não, me deixando ali no meio da chuva, com a possibilidade de outros carros passarem por ali, me causa um sentimento de indignação”, afirma a jovem, que apesar de todo o susto, é muito grata por estar viva e sem sequelas mais graves.