Ideias que cresceram e floresceram durante a pandemia


Por: Portal Arauto
Fonte: Jornal Arauto
Publicado 16/02/2021 11:18
Atualizado 16/02/2021 11:18

Geral   SETOR DE FLORES

O Sítio Eco Flores é o sonho realizado do casal Luiz e Lourdes Morsch, na busca por apostar em um negócio próprio, e o setor de flores foi o escolhido. Em 1999 deram início às atividades e ao cultivo de flores, em Linha Santa Cruz, após o casal observar a carência de produção neste ramo.

De lá para cá, só progresso. A área do sítio de mil metros quadrados passou a ser de 10 mil metros quadrados. São 55 caixas d’água de sete mil litros para armazenar a água da chuva. Com o aumento das estufas, cresceu também a variedade de flores produzidas. Com três módulos de estufas e atendendo cidades de todo o Rio Grande do Sul, a empresa estava a todo vapor.

Mas com a chegada da pandemia do coronavírus, no ano passado, foi preciso segurar os freios e remodelar o futuro. A incerteza foi passageira. Logo, os proprietários colocaram em prática novas ideias. “As nossas vendas não estavam dando conta de manter toda a estrutura e o quadro de funcionários. Por isso, optamos por diversificar e apostar em uma nova modalidade, a de chás e temperos”, conta Lourdes.

Apostar nas novas espécies já era uma vontade do casal. Com a necessidade de se reorganizar frente à crise provocada pela Covid-19, a ideia foi colocada em prática. “Aos poucos fomos ampliando o espaço de produção para as especiarias totalmente biológicas, sem uso químico, conforme a demanda do mercado. A aposta deu tão certo que na medida que os pedidos cresceram, resolvemos diminuir um pouco a quantidade de flores e agregamos mais espaço para a produção de temperos e chás”, conta Luiz.

No início de 2020, a empresa mantinha 100% de sua produção para 18 variedades de plantas. Hoje, a projeção de produção para 2021 é de 70% para os chás e temperos aromáticos e 30% para flores. Ainda foi necessário reduzir para sete o número de opção de flores cultivadas. “A readaptação foi muito positiva e permitiu que continuássemos com a disposição de antes da pandemia. Os chás e os temperos foram a nossa salvação”, frisa o casal.

Apesar de muitas flores terem parado no lixo pela falta de rotatividade e comercialização, outras tiveram um destino feliz. A empresa distribuiu flores para as pessoas no centro de Santa Cruz do Sul, outras foram doadas para campanhas e projetos na cidade. “Foi uma luta grande ao longo dos meses, e por mais difícil que tenha sido, foi muito planejada”, ressalta Lourdes.

O principal objetivo do Sítio Eco Flores é cultivar sentimentos. Seja por meio de flores ou através das especiarias, o negócio dá certo. “Fizemos do limão uma limonada. Daqui para frente o mercado é que vai nos dizer qual caminho devemos seguir. Sejam flores, sejam chás e temperos, continuaremos priorizando pela qualidade”, reforça a empreendedora. “É preciso ser criativo. E com a nossa ideia, estamos bem satisfeitos”, conclui o casal.

 

Parceria é aposta para atrair consumidores

Dulce Schuster é uma florista de mão cheia. Há mais de 40 anos trabalhando no ramo de flores, ela vê no floreio um universo de possibilidades. E é através da Terra Fllor Floricultura, localizada em Santa Cruz do Sul, que ela coloca em prática. Dulce é apaixonada pelas flores. Ela vê a beleza delas muito além da perspectiva de mercado. “As flores são capazes de demonstrar os nossos sentimentos”, enfatiza.

Na mesma intensidade que ela observa as características e a representatividade de cada flor, também estuda novas estratégias. Antes da quarentena, a florista trabalhava também com decoração de eventos e festas. No entanto, atualmente, com a realização ainda incerta, ela aposta em novas parcerias.

Pela loja é possível ver expostos produtos de outras pessoas, como trabalhos em madeira, enfeites e espécies de temperos. Uma das alternativas para diversificar o setor e atrair o público foi tornar-se vitrine para outros artigos. “Nosso setor foi um dos mais afetados logo de cara. Mas outros ramos também sofreram, então, ao invés de ficar lamentando, abracei outras áreas, e o resultado foi eficiente”, salienta Dulce. “Apesar das dificuldades, é preciso modernizar. Renovar o mercado”, acrescenta.

Para isso, Dulce conta com estratégias elaboradas por um profissional de marketing, contratado em meio à pandemia para alavancar o comércio de flores pelas redes sociais. “Para o próximo mês, também queremos investir em influenciadores para divulgarem nossos produtos. Um meio bastante utilizado hoje em dia”, destaca.
Mas para a florista, o mais importante é que as pessoas não percam a paixão pelas flores. “Flores são um presente romântico por natureza. Quem dá e quem recebe gosta por admirar a beleza presente nas plantas”, frisa Dulce.

 

Investimento em redes sociais foi a saída

A floricultura Casa Flor, de Vera Cruz, também precisou se reinventar. Com o cancelamento de eventos e confraternizações – serviços oferecidos pela empresa, como organização, recepção e decoração –, foi necessário partir para o plano B.

A estratégia, conforme a florista Denise Hoesker, foi intensificar as ações no âmbito digital: a nova vitrine para a venda, no caso dela, de flores. “Para chamar o público, apostamos em posts no Facebook e Instagram, com conteúdos criativos, divulgando os produtos oferecidos”, conta.

O foco das vendas precisou mudar. Antes, as flores de corte, os arranjos e buquês de flores eram o carro chefe. Com o início do isolamento social, as plantas ornamentais, verdes e perenes passaram a ganhar uma atenção especial.

Para Denise o aumento tem explicação. Com o período de quarentena, as pessoas tiveram mais tempo para cuidar dos pátios. “Mais tempo em casa propiciou o aumento nas decorações externas, como jardins, fontes e vasos”, salienta. Árvores da felicidade, orquídeas, bambus da sorte e plantas verdes são as preferidas.

Para atender as novas procuras, o outro espaço da Casa Flor, a Garden Center, foi certeiro. Isso porque o ambiente é dedicado à venda de ornamentações externas. A Garden Center também focou na oferta de execução e elaboração de projetos, espaços, jardins, lounges externos e piscinas, além da manutenção dos locais, que é uma novidade.

As datas comemorativas enxertam esperança para a floricultura. “Logo vem o Dia da Mulher, e com a data, promoções especiais estão sendo preparadas”, enfatiza Denise. Para frente, a ideia é continuar oferecendo promoções para equilibrar a redução do ano anterior. “No dia 1º de maio comemoramos 20 anos. Por isso, esperamos coisas boas para o setor de flores”, ressalta.