Quais são os hábitos positivos e negativos para lidar com a pressão e o estresse no fim de ano?


Por: Portal Arauto
Fonte: Jornal Arauto
Publicado 31/12/2020 14:00

Geral   CUIDAR DE SI

É época de projetar o futuro e esperar pelo que o novo ano tem a apresentar. Mas neste ciclo que se inicia, alguns aprendizados do ano que passou também são válidos. Com a pandemia, além dos cuidados de higiene e prevenção, muito se aprendeu sobre a saúde mental e os cuidados consigo. A aflição frente ao até então desconhecido vírus provocou ansiedade, frustração, estresse, depressão e muitos medos. Por isso, este também é momento para aprender a lidar com as emoções e os sentimentos,  podendo ingressar em 2021 com mais domínio dos pensamentos. Na entrevista a seguir, a psicóloga clínica Pamela do Couto (CRP-07/32689), fala sobre o assunto e dá dicas para aplicar no dia a dia. 

 

A transição de ano remete à renovação de um ciclo, tendo-se por costume projetar novos sonhos e objetivos. Neste sentido, é saudável traçar metas? 

Todos nós precisamos ter metas, bem como traçar objetivos e sonhos para o futuro e isso é saudável. Porém, quando começa a afetar a rotina e não se consegue lidar com alguma decepção, daí sim pode vir a ser preocupante. Por que muitas vezes as pessoas ficam tão focadas em suas metas que acabam vivendo um ano frustrante, já que tudo o que almejou não se tornou realidade. As pessoas têm que se perguntar se é saudável fazer isso e colocar na balança. Pode-se pensar em questões relacionadas ao bem-estar físico e emocional, alguma meta de trabalho, mas coisas que serão mais fáceis de serem feitas e palpáveis para que não haja frustração. Uma dica é pensar os objetivos maiores por etapas, traçando a cada ano os passos para chegar lá e não tudo de uma vez.

E quanto a reavaliar as metas projetadas para o ano anterior, pegar aquela listinha feita e refletir sobre o que se fez e o que não se concluiu. Como fazer esse processo sem se frustrar?

Praticar a resiliência é uma maneira muito boa de não se frustrar, refletindo sobre todas as dificuldades que se passou naquele período, e ressignificar elas com a experiência. Pode-se fazer apontamentos, olhando para o que já aconteceu e pensando: se acontecer de novo, como posso lidar com isso desta vez? É preciso ressignificar essas coisas, que de certa forma não deram certo, mas não com culpa, porque não depende só da gente, depende de um todo.

A chegada de um novo ano costuma representar recomeço. No entanto, a pandemia, que desencadeou diversos problemas psicológicos nas pessoas, não terá fim a partir de 1º de janeiro de 2021. Como lidar com este aspecto? 

É preciso aprender a conversar com o próprio pensamento e se questionar diante dele: o que é possível para 2021, levando em conta que ainda será um ano de dificuldades, distanciamento social e uso de máscara? Trabalhar isso de uma forma saudável, evitando as estratégias disfuncionais, como por exemplo, uso abusivo de tabaco, bebidas alcoólicas e drogas para fugir da angústia, ansiedade e frustração causadas por este período de incertezas. Além disso, as pessoas vão perceber o quanto faz bem não se cobrar tanto, entender que não é preciso dar conta de tudo, do trabalho, dos filhos, de algo que alguém está pedindo. 

Algumas pessoas gostam de celebrar o fim de ano com festas e reunindo a família e amigos, já outras procuram se recolher, refletir consigo mesmas e relembrar aqueles que já se foram. Como agir respeitando o momento de cada um?

Tem pessoas que estão passando pelo luto nesta época do ano e elas precisam viver esse momento no seu tempo. Para alguns pode levar um mês para outros mais tempo. Por isso deve-se ter empatia e respeitar esse momento, compreendendo quando o outro não quer celebrar o fim de ano e dando oportunidade para validar as emoções: se está triste e precisa chorar, está tudo bem. Mas também é preciso tomar cuidado para que essa sensação do fim de ano não desencadeie estratégias negativas. Por exemplo, ao invés de ficar se martirizando por não poder passar a ceia de ano novo com os avós ou a família em função da pandemia e, por isso, se isolar, que tal fazer uma vídeo chamada, montar um grupo no WhatsApp e se conectar com as ferramentas que temos?

Com as redes sociais, algumas pessoas se frustram ao ver o quanto a ceia do outro é maior, o quanto parece que a família do outro está se divertindo mais e por aí vai. Como lidar com isso e se afastar destes pensamentos?

Deve-se levar em conta que é muito mais difícil ver alguém triste nas redes sociais e se perguntar: “naquela foto que postei sorrindo, será que eu realmente estava feliz?”. Também, buscar entender suas limitações e ficar feliz pelo próximo: “que bom que ele pode passar a virada de ano na praia, mas que bom também que posso ficar aqui perto da minha família”. É importante procurar colocar o que se tem de mais precioso, porque muitas vezes estar na praia com os amigos não é tão importante como estar em casa com a família. Pode ser que essa pessoa esteja na praia com os amigos porque não tem um pai e uma mãe para comemorar. 

O fim de ano naturalmente é uma época de muito estresse e que provoca angústia e ansiedade. São contas a pagar, planos a fazer e muitas coisas para dar conta. Como evitar que pensamentos negativos ou frustrações gerem estes problemas?

Cuidar do próprio corpo e da saúde mental é fundamental. Esse até poderia ser um tópico de desejos para 2021. Praticar exercícios, nem que seja uma vez por semana, pois faz bem para o físico e a mente. Correr, fazer exercícios em casa, alongamento, yoga, bem como dar atenção à própria respiração, com técnicas que auxiliam a diminuir a ansiedade, por exemplo. E quando não se consegue cessar este caminhão de pensamentos disfuncionais, como “não consigo dar conta” e “minha casa está sempre bagunçada” e eles estiverem interferindo no relacionamento, no convívio familiar e na rotina, é bacana procurar um profissional ou até mesmo colocar no papel as angústias e visualizar o que se pode fazer para melhorar isso. Também, conversar e entender porque esse pensamento está aqui. Quando se consegue articular e pensar estratégias, como praticar atividade física, achar um hobby, a gente se descobre e faz o melhor pra gente. 


Foto: Jornal Arauto / Caroline Moreira
A frustração pelas metas não alcançadas pode ser causadora de estresse e angústia
A frustração pelas metas não alcançadas pode ser causadora de estresse e angústia