Com estiagem e pandemia, RS registra redução de 88,6 mil empregos formais em 2020


Por: Portal Arauto
Fonte: Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Publicado 15/10/2020 12:24
Atualizado 15/10/2020 12:26

Geral   MERCADO DE TRABALHO

Em um contexto de pandemia e de estiagem, o Rio Grande do Sul registrou entre janeiro e agosto de 2020 a extinção de 88,6 mil vínculos de emprego formal, o que representou  redução de 3,5% do contingente total de empregos do segmento mais protegido do mercado de trabalho.

Mulheres, trabalhadores menos escolarizados e a população com idade igual ou superior a 50 anos foram os mais afetados pela retração. Comércio e Serviços foram os setores da economia que mais apresentaram fechamento de vagas.

A variação do emprego formal, que teve como fonte os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) da Secretaria da Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, é um dos apontamentos disponíveis no Boletim de Trabalho, divulgado nesta quinta-feira (15/10) pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).

O documento, elaborado pelos pesquisadores Guilherme Xavier Sobrinho e Raul Bastos, é dividido em duas seções e também analisa o comportamento do mercado de trabalho no RS até o segundo trimestre do ano com base nas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua/IBGE).

Emprego formal

A oscilação nos números do emprego formal no RS acompanhou a tendência de agravamento da situação decorrente do enfrentamento ao coronavírus. Os resultados negativos se estenderam de março a junho, com o pior momento registrado em abril, quando 79,3 mil vínculos foram eliminados. De acordo com o Boletim, a partir de julho o mercado passou a apresentar sinais de recuperação, com a tendência de alta, tímida, porém, confirmada em agosto. Ainda assim, no acumulado de janeiro a agosto, a redução atingiu 88,6 mil empregos.

Na comparação com o Brasil, a variação do Estado entre janeiro e agosto foi mais negativa do que a média nacional (-2,19%) e a quinta pior entre os Estados, apenas à frente de Alagoas, Rio de Janeiro, Sergipe e Pernambuco. Considerando somente agosto, a recuperação no estoque de empregos formais no RS foi de 0,3% em relação a julho, percentual também abaixo da média brasileira (0,66%), o que representou a criação de 7.228 vínculos formais no Estado. No período, o total de vínculos de empregos formais chegou a 2,42 milhões de vagas.

Por setor, Comércio (-5,5%) e Serviços (-3,7%) tiveram as perdas mais significativas no emprego formal. A Indústria de transformação (-2,3%) e a Construção (-1,5%) apresentaram reduções mais brandas, enquanto a Agropecuária, setor em que o emprego formal é menos significativo do que a ocupação não formalizada, foi a única a registrar variação positiva (+0,1%).

Em números absolutos, as atividades mais afetadas no período foram o comércio varejista (-27 mil empregos formais), preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-16,5 mil), alimentação (-16,1 mil), transporte terrestre (-6,2 mil) e alojamento (-4,9 mil). Resultados positivos foram registrados na fabricação de produtos de fumo (+5,9 mil), atividades de atenção à saúde humana (+3,5 mil) e fabricação de produtos alimentícios (+2,7 mil).

As mulheres representaram 54,8% dos vínculos formais extintos nos oito primeiros meses de 2020, participação superior aos 47% que detêm no total de empregos formais do RS. Em termos de escolaridade, os mais afetados tinham Ensino Médio completo (43,5%), Ensino Fundamental incompleto (21,1%) e Ensino Fundamental completo (17,1%). No item idade, os empregados formais de 50 a 64 anos representaram 36,2% dos desligamentos no período.

Entre as nove Regiões Funcionais do Estado (RF), oito delas tiveram perdas de janeiro a agosto. Com exceção da RF2, que engloba os Vales do Rio Pardo e Taquari,  beneficiada pela sazonalidade da cadeia do fumo, as demais registraram quedas importantes. A RF4, que inclui o Litoral Norte, teve a redução mais expressiva (-10,5%), seguida da RF1, de Porto Alegre e Região Metropolitana, e que responde por quase metade do emprego formal do RS, com -5,0%.

 

 


Foto: Arquivo Jornal Arauto
Em um contexto de pandemia e de estiagem, o Rio Grande do Sul registrou entre janeiro e agosto de 2020 a extinção de 88,6 mil vínculos de emprego formal
Em um contexto de pandemia e de estiagem, o Rio Grande do Sul registrou entre janeiro e agosto de 2020 a extinção de 88,6 mil vínculos de emprego formal