"Ser vereador serviu para perceber que as dificuldades do povo podem ser enfrentadas de um jeito diferente", diz Mathias Bertram


Por: Portal Arauto
Publicado 05/10/2020 07:00
Atualizado 05/10/2020 07:05

Política   ENTREVISTA

O sétimo e último entrevistado da série do Grupo Arauto com os postulantes à Prefeitura de Santa Cruz é Mathias Bertram (PTB). O vereador e empresário tem como candidato a vice o também vereador e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, César Cechinato (PSDB). A coligação Santa Cruz Sempre em Frente ainda tem o apoio do PV.

Bertram contou como ingressou na política e respondeu questionamentos no formato ping-pong - pergunta e resposta - sobre temas como saúde, economia, mobilidade urbana e obras públicas.

Quem é?

Mathias Bertram, 34 anos, empreendedor e acadêmico do curso de Gestão Pública. Atualmente, exerce o mandato de Vereador pelo PTB conquistado nas eleições de 2016. Antes disso, sua  trajetória profissional iniciou na lavoura de fumo, passou pelo trabalho na padaria da mãe junto com os irmãos e o pai. Mais tarde, teve algumas experiências como vendedor e retornou para a Lisaruth, empresa da família, onde já fez de tudo: limpeza, atendimento, produção de cucas, administração. Atualmente, faz parte do Conselho de Administração da empresa. Teve ainda participação intensa em ações comunitárias, atuando como liderança em algumas associações.

Grupo Arauto: Por que decidiu se candidatar para governar Santa Cruz?

Mathias: Em 2012, eu já era liderança na comunidade e sentia muito a ausência do Poder Público. Veio o governo, os problemas continuaram, as promessas de campanha não foram cumpridas e me senti enganado. Muita gente pensava assim! Isso me fez tentar uma cadeira na Câmara de Vereadores na eleição seguinte. Cheguei lá. Cumpri meu papel defendendo a comunidade e fiscalizando o executivo, mas ser Vereador não é suficiente para fazer o que eu quero e posso fazer. Essa experiência serviu para conhecer a máquina pública e perceber que as dificuldades do povo podem ser enfrentadas de um jeito diferente do que está sendo feito.

Grupo Arauto: A pandemia mexeu nos mais variados setores. Não foi diferente com o público, que precisou equilibrar a equação saúde e economia. Qual o desafio, a partir de 2021, para voltar a crescer, seja no setor industrial, seja no comércio? Como retomar a empregabilidade?

Vivemos uma situação atípica! A saúde deve ser tratada com responsabilidade e permitir que as pessoas sigam suas vidas com segurança, possam trabalhar, deixar os filhos na escola e viver! O poder público deve ouvir os diferentes segmentos, em especial os pequenos negócios, para permitir que as pessoas possam ganhar a vida. Deve juntar os envolvidos e, através do diálogo, promover o entendimento em torno das melhores condições para fazer a máquina andar. Retomar o crescimento na indústria e no comércio depende de entender o que as empresas precisam em termos de infraestrutura, de qualificação das pessoas e também na área fiscal. O Município deve ser parceiro e não atrapalhar a iniciativa privada, fazer com que as empresas tenham melhores condições de produzir desburocratizando, modernizando e agilizando os serviços públicos, além de incentivar os modelos de negócio do novo milênio fomentando uma estrutura de preparação e qualificação das pessoas para o mercado de trabalho.

Grupo Arauto: Santa Cruz do Sul tem frota superior a 90 mil veículos. Além disso, é a cidade polo no Vale do Rio Pardo. Como você vê o modelo ideal de mobilidade urbana?

Existe um estudo de mobilidade urbana na Prefeitura. Vamos usar esse estudo e, se necessário, faremos outro, mas existem algumas ações pontuais e simples que podem ajudar a melhorar as condições de mobilidade como a dinamização das vagas de estacionamento no centro da cidade, o reposicionamento dos semáforos, alternativas aos “quebra-molas”, enfrentar os problemas de pavimentação das vias públicas como buracos, remendos mal feitos e novas pavimentações. Reposicionar os corredores de ônibus e rever o modelo de transporte coletivo e melhorar as condições de mobilidade para pedestres e ciclistas. Além disso, as intervenções não podem mais ser feitas em horário de pico, as obras vão ter que ser feitas em outro horário, exceto as de emergência, claro. Outra questão importante é olhar para as vias que não estão pavimentadas, as parcerias para pavimentação precisam voltar e enquanto não pavimentamos, essas vias devem receber manutenção o ano todo, não só no período pré-eleitoral.

Grupo Arauto: Saúde é tema latente, sempre. Na sua gestão, qual o foco que esta área terá? O que de mais importante deve ser feito a partir de 2021?

Além de trazer recursos para investimento na melhoria da infraestrutura e equipamentos de saúde pública, que faz parte da nossa história, entendo que as pessoas não podem mais ficar correndo de um lado para outro em busca de carimbos, autorizações e marcações de consultas e exames. O servidor deve resolver a situação. Vamos direcionar nossos esforços para qualificar e ampliar a estrutura de atendimento básico e as redes de apoio e proteção aos públicos específicos. Um cuidado especial com a humanização do atendimento, porque quando o cidadão procura o sistema de saúde que já está fragilizado, ele precisa de atenção e cuidado. Outra necessidade que o sistema tem é a implementação do Prontuário Eletrônico Integrado. As informações sobre o usuário devem estar disponíveis em qualquer ponto de atendimento de saúde. Além disso, destacamos a necessidade de revisar e renegociar as parcerias e os programas de atendimento à população, por exemplo, o hospitalzinho precisa atender 24h e com pediatria.

Grupo Arauto: Uma das grandes demandas da população são obras públicas. Seja por melhorias em vias, parques, praças e prédios que prestam serviços públicos. Dentro dessa área, qual será a sua prioridade?

Vejo várias necessidades, temos muitas demandas para eleger apenas uma prioridade. Nossa cidade é bem arborizada, ruas largas, muitas praças e parques. Primeiramente, devemos nos organizar para oferecer um serviço de manutenção disso tudo com qualidade o ano todo, além de criar novos espaços de convivência e lazer nos parques existentes e em outras áreas de propriedade do Município. Isso é possível através de parceria com as entidades e associações. Também vamos ter que levar para os bairros o mesmo padrão de paradas de ônibus que temos no centro da cidade. Dentre outros, tenho alguns desafios olhando para o futuro: parar de gastar com aluguéis e definir a situação do Centro Administrativo; a duplicação da 471 e a implementação de um anel viário ligando a 471 com a 287; a preparação da infraestrutura para um aumento da demanda por saneamento, abastecimento de água e de energia, mobilidade urbana, tráfego de dados e transporte de passageiros; e a viabilização de um centro de eventos.

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Foto: Milena Bender/Portal Arauto
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