Calor estimula transplante de fumo na região


Por: Portal Arauto
Fonte: Jornal Arauto
Publicado 22/07/2020 06:28
Atualizado 22/07/2020 08:09

Geral   TRABALHO NO CAMPO

Tem sol, calor e muito trabalho na lavoura. Desde o último sábado, o clima quente tem estimulado os produtores a realizarem o transplante das mudas de tabaco. Pela região, o verde das folhas tem sido visto com mais destaque - basta circular pelo interior. Em Linha Sítio, localidade de Vera Cruz, a família Reinicke aproveitou as altas temperaturas. Começou na sexta-feira e até a tarde de hoje plantou cerca de 70% dos pés de tabaco que serão cultivados nesta safra plantados. Para isso, trabalho árduo. Esse plantio antecipado, tendência visualizada pelas entidades representativas dos fumicultores, é para evitar a colheita no calorão. E Billy Reinicke, de 49 anos, confirma. “Queremos estar com tudo colhido, no galpão, até 15 de dezembro”, pontua.

Ao lado da esposa Delci, também de 49 anos, e da família que o auxilia na lida agrícola, a pretensão é daqui a duas semanas encerrar a etapa de transplante, dando números finais de 80 mil pés de tabaco neste ciclo. “Plantamos de forma escalonada porque temos um tanto de fumo para pesquisa”, acrescenta Billy, que classifica a comercialização da safra anterior, encerrada há pouco tempo, como “justa”. “Não podemos reclamar”, arremata ele, esperançoso com o novo ciclo e torcendo para condições climáticas que favoreçam o bom desenvolvimento da planta.

MOMENTO CERTO
A semana passada foi de geada na região. Na quarta-feira, os termômetros chegaram a marcar temperaturas próximas de zero. Mas o tempo virou. No fim de semana, 30 graus pelo Vale do Rio Pardo - um convite ao plantio, confirmado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Vera Cruz, Cristian Wagner. Segundo ele, neste ano tem se percebido uma antecipação não vista em safras anteriores. O motivo: desejo de encerrar a colheita antes do forte calor da virada do ano. No entanto, essa antecipação traz para alguns produtores a apreensão da geada. “O risco de geada é eminente, mas não só agora. Pode dar geada até agosto e até costuma dar”, cita Wagner, ao lembrar que pela qualidade do tabaco hoje não é de se preocupar tanto com os dias mais gelados. “A geada faz pouco dano do que fazia anos atrás. Dano mesmo só se a muda é mais fraca ou se a geada caiu logo depois do transplante, no dia seguinte. Se ela já enraizou, dificilmente morre”, explica.

Frente a isso, o dirigente imagina que embora haja “sustos” com as geadas, os fumicultores devem tornar tradição o plantio antes do período até então adotado, independentemente do frio - tudo isso para escapar dos calores e da queima do fumo na lavoura em função do calor. “O fumo de ponteira, aquele colhido lá no auge do calor, entre dezembro e janeiro, é o que melhor dá na comercialização. Então, a ideia é colher este fumo quando ainda não é tão quente, para não ocorrer perdas”, orienta.


Foto Lucas Batista/Jornal Arauto
Família Reinicke tem aproveitado os dias de calor
Família Reinicke tem aproveitado os dias de calor