Em coletiva de imprensa, advogado da família de jovem morto contesta polícia


Por: Portal Arauto
Publicado 25/06/2020 14:16
Atualizado 25/06/2020 18:41

Polícia   MORTE EM CANDELÁRIA

O advogado da família de Carlos José Kolbe, morto durante uma abordagem da Brigada Militar de Candelária em 2019, convocou nesta quinta-feira (25) uma coletiva de imprensa em Santa Cruz do Sul para contestar a conclusão do inquérito pela Polícia Civil. Ontem, o titular da Delegacia de Polícia Civil de Candelária, Paulo César Schirmann, divulgou a apuração de que o policial militar atirou em Kolbe por legítima defesa. 

Entretanto, nem a família e nem o advogado concordam com o resultado. De acordo com o advogado Cleber Prado, o laudo da necropsia contraria o argumento de legítima defesa. "O laudo feito pela perícia é muito claro no sentido de que a perfuração do projétil disparado pelo policial atingiu região lombar esquerda. Então, o tiro foi efetuado pelas costas. Não houve legítima defesa e o laudo é a prova técnica disso", comenta. 

Durante a coletiva, Prado também relatou que pelo menos dois dos 13 depoimentos de testemunhas indicam esse cenário. "Quando ele estava se afastando, algumas testemunhas relatam que têm certeza de que o policial pega a arma e efetua o disparo. Posterior a isso, os policiais vão até o corpo e algemam ele morto", diz. Do total de testemunhas, conforme o advogado, três são policiais, uma é moradora da região e as demais estavam no local.

Segundo o advogado, tanto o resultado do laudo quanto alguns depoimentos o fazem questionar o resultado final do inquérito. "Eu atuei em todos os atos e a sensação que tenho como advogado é que o delegado olhou para o inquérito com um olho fechado e outro aberto. Digo isso porque ele não relevou aspectos técnicos de fundamental importância", fala. Procurado pela reportagem do Portal Arauto, o delegado Paulo César Schirmann ressaltou que não irá se manifestar sobre as declarações do advogado. Ele apenas destacou que seu trabalho foi baseado em questões técnicas e que respeita o direito do advogado da família se manifestar.

Outro ponto alegado por Prado durante a coletiva foi o número de policiais na ocorrência. "Carlos estava desarmado e não era lutador de artes marciais. Não precisava efetuar o disparo!", declara. 

A defesa da família de Carlos José Kolbe destaca que irá aguardar o posicionamento do Ministério Público de Candelária para então definir de que forma irá agir.  

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Foto: Guilherme Bica/Portal Arauto