Número de MEIs sobe na pandemia em Santa Cruz do Sul


Publicado em 23/05/2020 10:00 Geral   OPORTUNIDADE NA CRISE Fonte: Jornal Arauto

74. Esse é o número de novos cadastros de Microempreendedores Individuais (MEIs) entre março e abril deste ano em Santa Cruz do Sul. Mesmo com cenário bastante nebuloso quanto a perspectivas empresariais, tem quem deu vida ao sonho de se tornar dono do próprio negócio. Por necessidade? Talvez esse seja o principal motivo, conforme Paulo Mans, do Banco do Povo. “Há pessoas que têm o sonho de empreender guardado na gaveta e nesse período de pandemia, muitas vezes porque perdeu o emprego, decidiu se arriscar”, comenta ele, respaldado com base na maior procura por linhas de financiamento junto ao Banco.

Ao analisar os dados apurados no Portal do Empreendedor, percebe-se aumento gradativo no número de registros de MEIs ao longo dos quatro primeiros meses de 2020 nas cidades de Santa Cruz do Sul, Vera Cruz e Vale do Sol. De janeiro a abril, por exemplo, são 279 novos registros em Santa Cruz do Sul. Em Vera Cruz, o número é de 46 e em Vale do Sol, de 14. Em nenhum município houve queda de novas empresas individuais no período da pandemia.  

Nesse primeiro quadrimestre do ano, entre os que se tornaram MEI está Ianick Moraes. Funcionário público estadual, há 10 anos ele trabalha como secretário de escola. Há quase quatro anos, quando soube que se tornaria pai, decidiu buscar renda extra como motoboy, sobretudo pelo baixo salário e pelo parcelamento - prática comum no Rio Grande do Sul. “Durante o dia eu trabalhava na escola e à noite era motoboy”, comenta o jovem de 28 anos.

Mas em função da paralisação das atividades escolares, recentemente Ianick decidiu que era hora de trocar de profissão - ou melhor, se dedicar exclusivamente a aquela que era sua renda extra. Registrou-se como MEI e hoje trabalha durante o dia e à noite realizando entregas. Outros familiares seus também são motoboys. “Decidi me registrar como MEI para estar regularizado e dar alguma garantia à minha família. Imagina se eu sofro um acidente, me machuco. Preciso pensar na esposa e na filha”, comenta ele, que encontrou em meio a toda dificuldade enfrentada pelo país encontrou uma forma de manter a estabilidade e até aumentar os ganhos. Afinal, nunca foi tão requisitada a profissão de motoboy, sobretudo pelo aumento crescente dos pedidos de produto em forma de delivery.

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Ianick Moraes se tornou MEI e trabalha ao dia e à noite como motoboy (Foto Divulgação)