Em 2020, 15 casos de HIV já foram diagnosticados na região


Publicado em 14/02/2020 06:20 Atualizado em 14/02/2020 06:30 Geral   ALERTA Fonte: Jornal Arauto

Para pular carnaval, foliões apostam na fantasia caprichada, organizam bloquinhos e marcam presença nas festividades. Mas, além disso, não dá para esquecer de levar o preservativo no kit para se jogar na folia. O item garante proteção contra doenças e infecções sexualmente transmissíveis, como o Vírus da Imunodeficiência Humana, o HIV. As campanhas de incentivo ao uso de camisinhas aumentam nesta época, mas o crescimento no número de pacientes soropositivos tem alertado autoridades de saúde na região durante o ano todo. Até agora, em 2020, de janeiro a 9 de fevereiro, já são 15 novos casos diagnosticados na região, segundo o Centro Municipal de Atendimento à Sorologia (Cemas), que é referência para os 13 municípios de abrangência da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde no tratamento de HIV/Aids e tem sede em Santa Cruz do Sul. 

Entre as preocupações relacionadas ao vírus é de que ele ataca o sistema imunológico do portador e causa a AIDS. Segundo dados do Ministério da Saúde, até junho do ano passado, em Santa Cruz do Sul, 899 pessoas convivem com a AIDS. Já em Vera Cruz, o número é de 83 e em Vale do Sol, 12. Segundo a assistente social e coordenadora de grupos de pacientes com HIV e AIDS do Cemas, Maria Cristina da Rosa Afonso, por ano surgem, em média, 150 novos casos de HIV na região. Em 2019, foram 134, segundo ela. “A estimativa é de que uma pessoa contaminada, que não faça o diagnóstico ou o tratamento, passa para três pessoas o vírus”, aponta. Para a profissional, a situação se agrava pela falta de informação e o descaso em relação a possível contaminação. “As pessoas acham que não estão vulneráveis a contrair o vírus. Que só homossexuais, transexuais e profissionais do sexo contraem”, frisa. Contudo, ela afirma que a maioria dos 1,3 mil pacientes portadores de HIV em acompanhamento no Cemas - sendo 75% deles de Santa Cruz -, são pessoas que mantêm relações heterossexuais e são casadas.  

ATENÇÃO, JOVENS
Nos últimos quatro anos, Maria Cristina diz que o maior aparecimento de casos de HIV tem se dado em jovens, entre 18 e 35 anos. “Antes, era mais comum em pessoas entre 40 e 50 anos. Mas a despreocupação dos jovens ao manter relações sexuais sem preservativo e não se colocar em situação de vulnerabilidade em relação ao HIV facilita a infecção”, esclarece.  

Outro fator preocupante é o medo de fazer o teste rápido e enfrentar a doença. “Conhecer o caso o quanto antes aumenta a expectativa de vida desse paciente e evita que doenças oportunistas apareçam, como câncer, meningite e diabetes, que surgem devido à baixa imunidade do soropositivo”, explica a profissional. Em Santa Cruz, segundo o Cemas, são feitos em média de 300 a 400 testes ao mês e, em Vera Cruz, de acordo com a Vigilância Epidemiológica, no mesmo período, realiza-se cerca de 80. 

Fica o alerta para aqueles que no Carnaval - ou diariamente - passem por situação de risco de infecção, para que façam o teste rápido e busquem assistência junto às unidades de saúde ou ao Cemas.

CASOS DE HIV
Santa Cruz do Sul: 211
Vera Cruz: 44
Vale do Sol: 5

*Os dados compreendem período de 2007 a 2018 e são do último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado de HIV/Aids. Os casos foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). 

CASOS DE AIDS
Santa Cruz do Sul: 899 casos 562 são homens, oito menores de cincos anos e 86 têm entre 15 e 24 anos.
Vera Cruz: 83 casos. 45 são homens, três menores de cinco anos e 12 têm entre 15 e 24 anos.
Vale do Sol: 12 casos. São sete mulheres, cinco homens e não há casos em menores de cinco anos ou em pessoas de 15 a 24 anos.

*Os dados, de 1980 a junho de 2019, são do Painel de Indicadores Epidemiológicos do Ministério da Saúde. Os casos foram notificados no Sinan, declarados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e registrados no Sistema de Controle de Exames Laboratoriais (Siscel)/Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (Siclom). 

SERVIÇOS NOS MUNICÍPIOS

​É ofertado o teste rápido pelo SUS nos postos de saúde e ESFs dos municípios ou no Cemas, sem prescrição médica e agendamento. O resultado fica pronto em média 30 minutos. Se confirmado o caso, o paciente soropositivo é assistido pelo município e pelos serviços de referência, como o Cemas. Ele faz uso de medicamentos antirretrovirais (ARV), que evitam enfraquecimento do sistema imunológico. Além disso, a população também tem acesso a Profilaxia Pós-Exposição de Risco (PEP), uma medida de prevenção de urgência à infecção pelo HIV, através da qual a pessoa que passe por caso de risco de contágio pode fazer uso de medicamento para reduzir o risco de adquirir a infecção. A PEP é ofertada pelo Cemas.

A matéria completa, no Jornal Arauto desta sexta-feira. 

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Teste rápido está disponível em unidades de saúde e no Cemas (Foto: Jornal Arauto / Taliana Hickmann)










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