A cara do Brasil


Publicado em 08/06/2018 Atualizado em 08/06/2018 09:16

Acompanhei atentamente nos últimos dias a apresentação dos jogadores brasileiros que defenderão a Seleção Canarinho na Copa da Rússia. E, na grande maioria dos casos, trata-se de jogadores oriundos de camadas da sociedade menos abastada que venceram na vida através do futebol e que agora tem sua carreira consolidada em clubes de referência, recebem bons salários, e irão defender o País na Copa do Mundo.

A maioria deles é renomada, consagrada, mas está na história de vida deles o detalhe que me chamou atenção. São, geralmente, oriundos de famílias humildes, de pouca instrução, e que conseguiram sair do campinho de pelada do bairro mais afastado da cidade, para se destacar num clube e, dali, construir uma carreira brilhante.

Prestem bem atenção se este perfil dos jogadores não é um retrato falado do Brasil. Aquele que luta diariamente para ter um lugar ao sol. O perfil do próprio técnico Tite, um gringo forjado na Serra, que não chegou a ser exuberante, mas com sua simplicidade, capacidade de aprendizado e, especialmente, sua sinceridade, conseguiu alcançar o sucesso como treinador.

O que dizer, então de Roberto Firmino. Nascido em Maceió, em Alagoas, no conjunto Virgem dos Pobres, a 300 metros do Estádio Rei Pelé, foi ter sua primeira chance numa peneira no CRB. Alcançou notoriedade no Figueirense, em Santa Catarina, até ser negociado com o Hoffenheim, da Alemanha, onde chegou com 19 anos. Conseguiu chamar atenção do Liverpool, da Inglaterra, e pelos Reds disputou a poucos dias a final da Champions League, diante do Real Madrid. Agora, vem o desafio do hexa pelo Brasil.

Ilustro nestes dois exemplos, de Tite e de Firmino, o retrato do Brasil na Seleção. A Copa pode não ter o apelo de anos atrás. Afinal, em tempos difíceis de escassez de dinheiro, gasolina alta, dificuldade no abastecimento de produtos básicos e também tem eleição logo ali, torcer pela Seleção Canarinho pode parecer supérfluo.

Mas sou saudosista. Para quem vibrou com a dupla Bebeto e Romário em 94 e viu Rivaldo e a dupla de Ronaldinhos serem soberanos em 2002, não vê a hora do sonho do hexa se renovar. Avante, Brasil!

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Jogadores brasileiros são a cara do Brasil (Lucas Figueiredo/CBF)





Jacson Miguel Stülp

Jacson Miguel Stülp, jornalista de formação, especializado em Comunicação Empresarial e Marketing. Atua no meio do esporte há 20 anos como repórter, editor, setorista, assessor de imprensa e devorador de mídia esportiva. É autor, entre outras coisas, do livro Orgulho Centenário, que conta os 100 anos do FC Santa Cruz.




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